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Fact Check Madeira

São recorrentes as notícias sobre quedas aparatosas de crianças e bebés na Madeira?

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Foto ilustrativa ShutterStock

A 28 de Julho, o DIÁRIO noticiou a queda de uma criança de um terceiro andar, em Câmara de Lobos. A vítima apresentava ferimentos externos e suspeita de fractura numa perna, tendo sido assistida pela Equipa Médica de Intervenção Rápida (EMIR) e pelos Bombeiros Voluntários de Câmara de Lobos, antes de ser transportada para o Hospital Dr. Nélio Mendonça.

Criança cai de terceiro andar em Câmara de Lobos

Uma menina de três anos sofreu, ao início da noite desta terça-feira, uma queda de um terceiro andar de um prédio situado no Bairro das Malvinas, em Câmara de Lobos.

Na sequência da notícia, surgiram comentários nas redes sociais sugerindo que este tipo de acidentes se tornou recorrente na Madeira. Perante essa percepção, o DIÁRIO procurou verificar se as notícias sobre quedas aparatosas envolvendo bebés e crianças têm sido uma constante na Região nos últimos anos.

Para esta verificação, o DIÁRIO efectuou um levantamento das notícias publicadas nos últimos cinco anos, entre 2021 e Julho de 2026, relativas a quedas envolvendo bebés e crianças até aos 12 anos de idade. A pesquisa incidiu exclusivamente sobre o arquivo do DIÁRIO e não pretende constituir um levantamento exaustivo de todas as ocorrências registadas na Região. O objectivo foi identificar os casos que, pela gravidade, circunstâncias ou impacto noticioso, mereceram cobertura jornalística.

Foram considerados acidentes ocorridos em diferentes contextos, nomeadamente habitações, estabelecimentos de ensino, percursos pedestres, espaços públicos e outros locais onde a queda tenha motivado a mobilização de meios de socorro e a respectiva notícia.  A pesquisa feita permitiu identificar 15 notícias publicadas pelo DIÁRIO entre 2021 e julho de 2026 relacionadas com quedas envolvendo bebés e crianças.

Em 2021, foram identificadas três ocorrências. A 4 de Agosto, o DIÁRIO noticiou que uma criança de 10 anos foi socorrida na sequência de uma queda no Complexo Balnear da Ponta Gorda, no Funchal. A 19 de Novembro, foi publicada a notícia de um menino de três anos que sofreu um corte na cabeça após uma queda junto ao Bairro da Palmeira, em Câmara de Lobos. Poucos dias antes do final do mês, na edição de 31 de Outubro, o jornal deu ainda conta da queda de um bebé de um ano na Corujeira, no Monte, que motivou o seu transporte para o Hospital Dr. Nélio Mendonça.

Em 2022, foram encontradas duas notícias. A 3 de Junho, um menino de nove anos sofreu uma queda na escadaria da Escola do 1.º Ciclo da Ribeira Brava, apresentando suspeita de fratura num braço. Mais tarde, a 23 de Dezembro, um menino de quatro anos caiu de uma janela para o quintal de uma habitação, na Boa Nova, no Funchal, de uma altura aproximada de quatro metros, sofrendo ferimentos na face.

No ano de 2023, o DIÁRIO publicou três notícias relacionadas com quedas de crianças. A 10 de Abril, uma criança ficou ferida após cair na Levada do Moinho, na Ponta do Sol. A 30 de Setembro, uma menina de dois anos sofreu uma queda junto ao teleférico da Fajã dos Padres, em Câmara de Lobos, apresentando um corte na cabeça. Já a 26 de Novembro, um menino de 11 anos caiu de uma altura aproximada de 10 metros para uma ribeira, no Caminho dos Tornos, no Monte, tendo sido resgatado pelos Bombeiros Voluntários Madeirenses e assistido pela Equipa Médica de Intervenção Rápida (EMIR).

Em 2024, foram identificadas duas ocorrências. A 28 de Abril, uma criança de quatro anos caiu cerca de oito metros na Levada do Caldeirão Verde, em Santana, obrigando a uma operação de resgate. A 22 de Junho, um menino de oito anos sofreu uma queda numa escola da freguesia de Santa Luzia, no Funchal, apresentando suspeita de fractura numa perna.

Também em 2025 foram publicadas três notícias. A 7 de Abril, uma criança de 12 anos sofreu uma queda durante o percurso pedestre do Caldeirão Verde. A 31 de Julho, uma menina de dois anos caiu numa creche, no Funchal, chegando a perder os sentidos antes de recuperar a consciência. Pouco depois, a 29 de Agosto, uma menina de três anos caiu cerca de quatro metros para o interior de um ribeiro, junto aos apartamentos da Quinta do Leme, em Câmara de Lobos.

Já em 2026, até ao final de Julho, o DIÁRIO publicou três notícias. A 16 de Abril, uma criança de cinco anos sofreu uma queda na Levada das 25 Fontes, na Calheta. A 23 de Abril, uma criança de dois anos ficou em estado grave após uma queda de cerca de dois a três metros a bordo do navio de cruzeiro Mein Schiff 7, atracado no porto do Funchal. Por fim e já mencionado, a 28 de Julho, uma criança caiu de um terceiro andar, em Câmara de Lobos, sofrendo ferimentos externos e suspeita de fractura numa perna.

Apesar de existirem antecedentes, a análise do arquivo demonstra que estes acidentes não apresentam uma frequência que permita classificá-los como recorrentes. Em cinco anos e meio foram identificadas 15 notícias, distribuídas por diferentes concelhos e circunstâncias, o que corresponde, em média, a menos de três casos por ano com relevância jornalística, segundo a pesquisa feita no arquivo.

Acresce que os episódios analisados dizem respeito a realidades muito distintas, desde quedas em escolas e percursos pedestres até acidentes em habitações, espaços públicos ou equipamentos turísticos, não evidenciando um padrão comum que permita concluir pela existência de um fenómeno recorrente.

Pelo exposto, a pesquisa efectuada demonstra que as quedas aparatosas envolvendo bebés e crianças não constituem um fenómeno recorrente na Madeira, embora existam casos pontuais que, pela sua gravidade ou impacto, justificaram cobertura jornalística ao longo dos últimos anos.

O levantamento permite concluir que a queda registada recentemente em Câmara de Lobos não é um caso inédito. Contudo, a existência de ocorrências esporádicas ao longo de um período de cinco anos e meio não é suficiente para sustentar a ideia de que este tipo de acidentes ocorre de forma recorrente na Região.

São recorrentes as notícias sobre quedas aparatosas de crianças e bebés na Madeira?