Voo de repatriamento da Venezuela traz duas madeirenses
Duas mulheres madeirenses seguem entre os 17 cidadãos portugueses que estão a ser repatriados da Venezuela para Portugal, numa operação organizada pelo Governo da República com recurso a meios da Força Aérea Portuguesa.
A confirmação foi feita ao DIÁRIO pelo deputado luso-venezuelano Carlos Fernandes, que adiantou que “pelo menos dois passageiros são da Madeira”, numa referência às duas passageiras madeirenses que integram este voo de repatriamento, num momento de particular angústia para muitas famílias da Região com ligações à Venezuela.
A aeronave deverá aterrar na Base Aérea de Beja, trazendo cidadãos nacionais que se encontravam na Venezuela na sequência da grave crise humanitária provocada pelos sismos de 24 de Junho. As informações oficiais sobre a identidade dos passageiros, o seu estado de saúde e as circunstâncias em que foram integrados nesta operação continuam, para já, a ser escassas.
Ainda assim, a presença de duas madeirenses neste voo confere à operação uma dimensão particularmente sensível para a Região, onde a tragédia tem sido acompanhada com enorme preocupação. A Madeira mantém uma ligação histórica, familiar e afectiva à Venezuela, país onde vivem milhares de madeirenses e lusodescendentes, muitos deles nas zonas mais afectadas pela catástrofe.
O transporte aconteceu no quadro da missão portuguesa que envolve duas aeronaves KC-390 da Força Aérea, mobilizadas para apoio humanitário, transporte de meios e eventual evacuação de cidadãos nacionais. A operação decorre num contexto de grande complexidade logística, com comunicações condicionadas, dificuldades de acesso a algumas áreas atingidas e informações ainda fragmentadas sobre a real dimensão dos danos.
De acordo com o mais recente balanço oficial, os sismos registados na Venezuela causaram pelo menos 1.450 mortos e 3.150 feridos. Entre as vítimas mortais há, até ao momento, pelo menos 53 portugueses e lusodescendentes. Outros 89 cidadãos portugueses ou de origem portuguesa continuam desaparecidos ou incontactáveis.
A dimensão da tragédia poderá, no entanto, ser ainda maior. Segundo a ONU, mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas, numa altura em que as equipas de busca e salvamento continuam no terreno, numa corrida contra o tempo para encontrar sobreviventes e prestar assistência às populações afectadas.
Portugal, à semelhança de outros países da União Europeia, enviou equipas de busca e salvamento para a Venezuela, reforçando a resposta internacional à catástrofe. A missão portuguesa tem ainda uma forte componente humanitária, tendo em conta a presença significativa de cidadãos nacionais e lusodescendentes no país.
A chegada dos 17 portugueses a território nacional deverá permitir uma primeira resposta de segurança, acolhimento e acompanhamento. No caso das duas madeirenses, a situação está a ser acompanhada com particular atenção por representantes da comunidade e pelas autoridades regionais, numa altura em que muitas famílias na Madeira continuam sem notícias de familiares residentes na Venezuela.
Este voo representa um sinal de esperança para algumas famílias, mas está longe de encerrar a preocupação. Permanecem por localizar dezenas de portugueses e lusodescendentes, e continua por apurar a verdadeira dimensão da tragédia nas comunidades com maior presença madeirense.
As próximas horas e dias serão decisivos para clarificar o número de vítimas, localizar desaparecidos e garantir que a ajuda humanitária chega às zonas mais atingidas.