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Guerra no Irão Mundo

Fiéis apelam à vingança diante do caixão de Khamenei

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Foto EPA

O dia mal tinha começado hoje em Teerão quando uma multidão de fiéis apelava à vingança diante do caixão de Ali Khamenei, exposto para uma última homenagem pública à figura da República Islâmica.

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A televisão estatal iraniana anunciou, cerca das 06:00 locais (03:30 em Lisboa), o início das cerimónias fúnebres nacionais do antigo líder supremo, que liderou o Irão durante quase 37 anos antes de morrer em consequência de ataques israelo-norte-americanos a 28 de fevereiro deste ano, num vasto complexo que integra uma mesquita.

"Não estamos aqui para um funeral, mas para uma vingança", gritou um recitador de elogios fúnebres perante fiéis em lágrimas.

Entre a multidão, muitos agitavam bandeiras vermelhas com a inscrição "Mártir" e bandeiras amarelas do Hezbollah libanês, movimento apoiado por Teerão.

Ali Khamenei morreu a 28 de fevereiro, aos 86 anos, na sequência do bombardeamento da sua residência em Teerão por ataques israelo-americanos que agravaram a tensão no Médio Oriente.

Faixas vermelhas apelavam à "vingança" e à 'hashtag' "#MatarTrump", numa altura em que os Estados Unidos assinalam também hoje o 250.º aniversário da independência.

Entre os presentes encontravam-se numerosos fiéis de aparência conservadora, incluindo mulheres de chador, uma veste feminina tradicional que cobre o corpo todo, exceto o rosto, e homens vestidos de preto. Alguns deslocaram-se ao local acompanhados pelos filhos.

"Nunca tive a oportunidade de ver o líder supremo de perto e lamento isso. Hoje vim para lhe dar um último adeus", declarou à AFP Javad Akbari, de 43 anos, funcionário da indústria alimentar.

Duas filas de bandeiras iranianas ladeavam o caixão de Khamenei, exposto sob a cúpula da imponente Mosalla, concebida para acolher as orações.

As paredes do recinto estavam cobertas por grandes retratos de Khamenei em diferentes fases da sua vida, incluindo imagens em que acompanhava soldados na frente durante a devastadora guerra entre o Irão e o Iraque (1980-1988).

"Prometemos ao líder supremo que ficaríamos com ele até ao fim. Toda esta gente está aqui por ele", porque "se sacrificou por nós", afirmou Reza, professor universitário de 37 anos.

Cânticos religiosos e patrióticos aumentavam a carga emocional da cerimónia, enquanto vários fiéis rezavam ajoelhados no chão.

Como dita a tradição do islão xiita, muitos batiam no peito em sinal de luto.

Alguns entoavam palavras de ordem como "Morte à América, morte a Israel!", uma palavra de ordem frequentemente ouvida em concentrações oficiais.

Periodicamente, era pulverizada água sobre a multidão, numa altura em que as temperaturas deverão ultrapassar os 35 graus Celsius.

Muitos fiéis transportavam retratos de Mojtaba Khamenei, que sucedeu ao pai no cargo de líder supremo. Desde que foi nomeado, em março, o novo dirigente ainda não apareceu em público e apenas se pronunciou através de comunicados que lhe são atribuídos.

Estas cerimónias públicas decorrem num contexto de um frágil cessar-fogo com os Estados Unidos e seis meses depois de importantes manifestações contra o elevado custo de vida e o poder.

O centro de Teerão apresenta hoje um forte dispositivo de segurança: blocos de betão e viaturas policiais bloqueavam todas as ruas de acesso ao recinto num raio de cerca de dois quilómetros.

As autoridades iranianas afirmam esperar entre 15 e 20 milhões de participantes só em Teerão para esta homenagem nacional, que decorrerá ao longo de seis dias e incluirá uma passagem pelo Iraque.

Na segunda-feira, os restos mortais de Ali Khamenei percorrerão as ruas de Teerão para uma última homenagem, antes de o cortejo fúnebre seguir, no dia seguinte, para a cidade santa de Qom. O antigo líder será sepultado na quinta-feira na cidade santa de Mashhad, no nordeste do Irão, onde nasceu.