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Venezuela avança para “novo ciclo”

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A cerimónia de imposição de medalhas às equipas internacionais de busca e salvamento, realizada no Estádio de La Guaira, marcou o reconhecimento da Venezuela aos operacionais estrangeiros que chegaram ao país nas primeiras horas da tragédia. Mas assinalou também o fim de um ciclo.

A fase de procurar sobreviventes está praticamente encerrada. A partir de agora, começa uma etapa mais longa, mais pesada e, em muitos aspectos, ainda mais dolorosa e de protecção de saúde pública.

É o tempo em que a esperança dá lugar à confirmação. Em que já não se procura apenas um sinal de vida, mas um nome, um corpo, uma resposta para as famílias que continuam à espera.

O embaixador de Portugal na Venezuela, Frederico Silva, sintetizou esse novo momento ao admitir que “a fase de salvar vidas está praticamente encerrada”, alertando que os próximos dias serão marcados por uma realidade ainda mais dura.

Para o diplomata, a missão portuguesa teve um desempenho “brilhante” e representou muito mais do que uma operação técnica de busca e resgate. Constituiu, afirmou, “mais um ponto numa longa cadeia de elos de verdadeira amizade” entre Portugal e a Venezuela.

Frederico Silva recordou que “a Venezuela não é um país qualquer para Portugal” e que também Portugal ocupa um lugar especial na realidade venezuelana. 

Na sua leitura, décadas de emigração, famílias mistas, negócios e uma comunidade portuguesa profundamente integrada explicam a forte mobilização que a tragédia despertou junto dos portugueses.

Essa ligação, acrescentou, justifica que Portugal tenha respondido de imediato, sem reservas, enviando uma missão de emergência quando ainda existia esperança de encontrar sobreviventes.

Agora, o cenário mudou. O embaixador defendeu que a prioridade passa pela recolha e identificação dos cadáveres, uma tarefa essencial para dar respostas às famílias, mas também para evitar uma grave crise de saúde pública.

Paralelamente, será necessário avaliar cerca de 50 mil edificações, entre habitações, espaços comerciais e estruturas industriais, para determinar quais poderão ser recuperadas e quais terão de ser demolidas.

A comunidade portuguesa está entre as mais afectadas. Frederico Silva revelou que existem já cerca de 90 mortos confirmados entre portugueses, lusodescendentes e familiares, admitindo que esse número deverá aumentar, tendo em conta a forte concentração da comunidade em La Guaira.

Considerou que a comunidade está profundamente enraizada na Venezuela e que a maioria procurará reconstruir a sua vida no país, embora admita que algumas famílias possam optar por regressar.

Na sua perspectiva, Portugal continuará a ter um papel importante, agora numa nova fase. Depois do resgate, será tempo de apoiar a reconstrução, ajudar as famílias, recuperar habitações e contribuir para que a Venezuela consiga erguer-se daquela que classificou como uma tragédia de enormes proporções.

As medalhas entregues em La Guaira encerram uma missão de risco e coragem. Mas, como sublinhou Frederico Silva, não encerram o compromisso de Portugal para com um país onde vive uma das maiores comunidades portuguesas no mundo.