Câmara do Funchal avança com apoio psicológico para famílias madeirenses ligadas à Venezuela
Ajuda será assegurada por 17 psicólogos através de entidades parceiras da autarquia. Contacto deverá ser feito preferencialmente através da Unidade da Diáspora e das Migrações
Jorge Carvalho avançou a medida, em exclusivo, durante a emissão especial da TSF-Madeira dedicada ao 'São João na Sé'. Município do Funchal diz estar preparado para intervir noutras áreas, mas aguarda indicações das autoridades nacionais e da embaixada portuguesa.
A Câmara Municipal do Funchal vai disponibilizar apoio psicológico à comunidade luso-venezuelana residente na Madeira, cujos familiares tenham estes sido ou não directamente atingidos pela calamidade que afecta o país sul-americano.
A medida foi anunciada, esta sexta-feira, pelo presidente da autarquia, Jorge Carvalho, em exclusivo, durante a emissão especial da TSF-Madeira a partir da Rua Dr. Fernão de Ornelas, no âmbito do 'São João na Sé'.
Segundo avançou o edil, este apoio será assegurado por 17 psicólogos através de entidades parceiras, numa resposta que o Município entende ser, nesta fase, a mais imediata e necessária para a comunidade madeirense e lusodescendente ligada à Venezuela.
Entre as entidades que se associam a esta causa estão a Cogni Solutions, a Madeira Quality Care - Clínica Médica da Achada, a Venecom - Associação de Imigrantes Venezuelanos da Madeira - e a Associação Amigos da Diáspora e dos Imigrantes Madeirenses.
Novo balanço oficial aponta para 929 mortos e 3.360 feridos
O número de mortos provocados pelos dois sismos consecutivos que atingiram a Venezuela esta semana subiu para 929, enquanto 3.360 pessoas ficaram feridas, anunciaram hoje as autoridades.
São momentos dramáticos para todo o povo venezuelano e, obviamente, também para a nossa comunidade que ali reside. Desde já, há uma palavra de conforto e de solidariedade para todos. Jorge Carvalho
O contacto deverá ser feito preferencialmente através da Unidade da Diáspora e das Migrações da Câmara Municipal do Funchal - que está por detrás de toda esta operacionalização - pelo número 291 211 041, e que fará a ponte entre as pessoas que necessitem de apoio e as entidades disponíveis para prestar acompanhamento psicológico.
Segundo o presidente da Câmara, o Município está a acompanhar a situação “desde o primeiro momento”, em articulação com as entidades portuguesas, designadamente o Governo e a embaixada portuguesa na Venezuela. E assegurou que a autarquia está disponível para intervir “em diferentes áreas”, assim que tal contributo seja solicitado.
O Município do Funchal, desde o primeiro momento, está a acompanhar esta situação através das entidades portuguesas, seja em termos de Governo, seja em termos da embaixada. Estamos disponíveis para, a qualquer momento, e quando nos for solicitado um contributo, podermos avançar em diferentes áreas. Jorge Carvalho
Nesse sentido, adiantou ainda que a Câmara Municipal do Funchal reuniu, no final do dia de ontem, com todas as juntas de freguesia do concelho, com o objectivo de manter “canais abertos” para uma eventual acção conjunta, caso seja dada luz verde para avançar com outro tipo de apoio.
O presidente da autarquia deixou, contudo, uma nota de prudência. Sublinhou que, em situações desta natureza, é fundamental evitar respostas descoordenadas, lembrando que “às vezes o voluntarismo atrapalha e aquilo que é importante é estarem todos organizados”. Por isso, defendeu que qualquer intervenção deve ser feita de forma organizada, articulada e em função das necessidades no terreno.
Desorganizado já está o país, desorganizadas já estão as infra-estruturas e algumas instituições. Por isso, é necessário mantermos aqui também alguma tranquilidade. Estamos organizados para entrar em acção assim que nos for solicitada essa intervenção. Jorge Carvalho
Aliás, Jorge Carvalho explicou que ainda não há uma noção clara sobre o estado das infra-estruturas e sobre aquilo que será mais necessário enviar ou mobilizar. O autarca admitiu que poderão vir a ser precisos mantimentos, materiais ou outro tipo de meios, por exemplo para apoiar pessoas desalojadas, mas insistiu que é necessário perceber primeiro quais são as necessidades concretas e como fazer chegar a ajuda.
"Se eventualmente for necessário montar um acampamento para pessoas que estão desalojadas, provavelmente será necessário determinado tipo de materiais e produtos. É necessário também perceber que condições existem e como é que vão lá chegar", precisou.
Madeira envia 18 operacionais para a Venezuela
Na sequência do sismo ocorrido na Venezuela e dos significativos impactos registados nas populações e infra-estruturas afectadas, a Região Autónoma da Madeira vai enviar um contingente de 18 operacionais, que fazem parte de uma Força Operacional Conjunta, com operacionais dos Açores, especializada em operações de busca, localização e salvamento de vítimas.
A Protecção Civil Municipal está também mobilizada e articulada com a Protecção Civil Regional, garantiu o presidente da Câmara do Funchal. A autarquia diz estar preparada para agir ou enviar equipas para a Venezuela, mas apenas quando houver indicação.
Não temos dúvidas absolutamente nenhumas de que a solidariedade que tanto caracteriza a nossa população acontecerá. Jorge Carvalho