Putin surge em uniforme militar para reivindicar tomada de Kostyantynivka
O Kremlin divulgou na sexta-feira imagens do Presidente Vladimir Putin, perante o seu estado-maior, reivindicando a captura da cidade ucraniana de Kostyantynivka (leste), de "grande importância estratégica".
As autoridades ucranianas afirmam ter repelido ataques russos à cidade e não reagiram de imediato à reivindicação do Kremlin, cuja ofensiva de primavera contra o leste da Ucrânia não produziu avanços, e provocou grande número de baixas, segundo centros de investigação internacionais.
"As Forças Armadas da Rússia continuam a manter firmemente a iniciativa estratégica" na frente de batalha, afirma Putin na intervenção perante os oficiais, divulgada pela televisão russa.
O porta-voz presidencial russo, Dmitry Peskov, afirmou que Putin visitou um posto de comando do exército russo, onde ouviu um relatório do seu estado-maior e agradeceu aos soldados.
Segundo o mais recente balanço do Estado Maior das Forças Armadas ucranianas, no sector de Kostiantynivka, foram "repelidos 24 ataques inimigos perto de Kostiantynivka, Ivanopillia, Illinivka e Stepanivka".
Kostyantynivka é um dos últimos bastiões no caminho para as principais cidades controladas pela Ucrânia no leste do país, Kramatorsk e Sloviansk, cuja captura é o objecivo final do Kremlin no Donbass.
A batalha por esta cidade, que tinha uma população de aproximadamente 78.000 habitantes antes da guerra, está em curso desde o final de 2025, quando os soldados russos começaram a infiltrar-se, e constitui atualmente o principal esforço da Rússia numa frente que se estende por mais de mil quilómetros.
Mais de quatro anos após o início da invasão do país pelo exército russo, Moscovo lança regularmente ataques massivos, envolvendo centenas de drones e dezenas de mísseis, contra a Ucrânia e a capital.
Kiev, com meios muito mais limitados, nomeadamente em termos de mísseis, também intensificou os ataques contra o território russo, infligindo golpes, em particular, no setor petrolífero.
Na noite de quarta para quinta-feira, a Ucrânia foi alvo de 496 ataques com drones e de 74 com mísseis de diferentes tipos, dos quais 476 e 48, respetivamente, foram intercetados, segundo a Força Aérea ucraniana.
Kiev foi alvo de ataques específicos. Jornalistas da AFP ouviram explosões durante várias horas e o alerta aéreo durou mais de 11 horas seguidas.
Após a descoberta de três novos corpos nos escombros, o balanço do ataque voltou hoje a ser revisto em alta, para 30 mortos, segundo os serviços de emergência da capital.
O chefe da administração militar de Kiev, Tymour Tkachenko, tinha, pouco antes, anunciado o registo de 27 mortos e 91 feridos.
Partes inteiras de edifícios residenciais ruíram, um edifício que albergava ambulâncias foi atingido e, segundo a porta-voz da União Europeia, Anitta Hipper, os escombros caíram sobre um edifício que "albergava vários diplomatas".
Um dos principais armazéns da Cruz Vermelha ucraniana, que continha ajuda humanitária, também foi "destruído".
Trata-se do ataque "mais massivo" contra a capital desde o início da invasão russa da Ucrânia em 2022, afirmou o presidente da câmara de Kiev, Vitali Klitschko, que declarou hoje um "dia de luto".
"A Rússia ataca alvos civis apenas para obrigar a Ucrânia a renunciar ao seu Estado", afirmou o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que se deslocou ao local dos bombardeamentos, garantindo que a Ucrânia irá retaliar.
Zelensky exortou, por seu lado, os aliados da Ucrânia a fornecerem mais meios de defesa antiaérea ao país. O chefe de Estado manifestou ainda a esperança de que o assunto seja abordado na cimeira da NATO, prevista para os próximos dias 07 e 08 em Ancara.
A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após a desagregação da antiga União Soviética - e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.
A guerra na Ucrânia já provocou dezenas de milhares de mortos de ambos os lados, e os últimos meses foram marcados por ataques aéreos em grande escala da Rússia contra cidades e infraestruturas ucranianas, ao passo que as forças de Kiev têm visado alvos em território russo próximos da fronteira e na península da Crimeia, ilegalmente anexada em 2014.
No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda pelo menos quatro regiões - Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia - além da península da Crimeia, anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental).