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Futebol 'chora' a morte da "lenda" Baresi, um dos melhores defesas de sempre

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Foto EPA

O mundo do futebol 'chora' hoje a morte de Franco Baresi, um esteio e uma lenda do AC Milan e um dos melhores defesas de sempre, com reações de pesar em Itália, mas também no exterior.

O antigo capitão do AC Milan, que morreu hoje aos 66 anos, é recordado como uma "lenda", "um símbolo de lealdade", de "jogo limpo" dentro e fora do relvado, com manifestações de pesar de vários clubes, companheiros e organizações.

"Durante gerações encarnou os valores, o caráter e a excelência que definem este clube, e mesmo no último ano, quando enfrentou o seu maior desafio, apoiou sempre o AC Milan", referiu o proprietário do clube, o norte-americano Gerry Cardinale.

Também a Associação Italiana de Futebolistas assinalou que a morte de Baresi é a perda de "um dos melhores e mais fortes defesas de todos os tempos, um símbolo de classe, desportivismo e entrega absoluta".

A Federação Italiana, por intermédio do presidente Giovanni Malagó, definiu-o como uma lenda, lembrando a lealdade do jogador a um só clube - representou durante 20 épocas o AC Milan (1977/1997) - e à seleção italiana.

"Um campeão extraordinário que vestiu apenas duas camisolas: a do AC Milan e a da seleção italiana. Uma escolha romântica, que o levou ao coração dos adeptos e de milhões de italianos. Vamos lembrá-lo como merece nos próximos jogos da seleção", disse.

Entre os clubes rivais, as homenagens são unânimes, com o Bolonha a lembrar a "figura inolvidável do AC Milan e da seleção", a Atalanta a referir os "capítulos importantes" do jogador no futebol italiano e o Monza a destacar "um ícone", "um dos melhores de sempre".

A Fiorentina sublinha que Baresi fará parte importante da história e que o seu nome "ficará gravado para sempre", o Génova chama-lhe "pedra angular" e também a Udinese frisa que parte "um dos melhores defesas de toda a Europa".

Paolo Maldini, esteio na defesa dos 'rossoneri' e companheiro de Baresi, deixou uma mensagem emotiva, numa semana que tem sido difícil, depois de ter renunciado ao cargo de diretor técnico na federação italiana.

"Adeus, Franco. O que faremos sem o nosso capitão?", escreveu Maldini, explicando que foi Baresi quem o ensinou a lutar até ao último momento, transmitindo-lhe o que significa ser leal e o valor de um verdadeiro líder.

O também lendário guarda-redes Dino Zoff disse ser "um momento de profunda tristeza com a partida de uma pessoa extraordinária - amável dentro e fora de campo" e Buffon enfatizou a "classe, liderança e respeito" existentes em Baresi.

Da política italiana, a primeira-ministra, Giorgia Meloni assinalou que Itália "não só perdeu um dos maiores campeões da história desportiva", mas também "um exemplo de lealdade, dedicação e entrega".

Os espanhóis do Real Madrid também lamentaram a morte do antigo símbolo do AC Milan e da 'squadra azzurra', bem como o FC Porto que se associou à dor do futebol mundial: "um rival duro e leal que marcou muitos dos nossos inesquecíveis duelos com o AC Milan nos anos 90, na Liga dos Campeões", escreveram os 'dragões'.

Baresi, que venceu três Ligas dos Campeões, conquistou a sua segunda em 1989/90 diante do Benfica, numa final disputada em Viena e na qual os italianos venceram por 1-0, com um golo de Frank Rijkaard.

A morte de Baresi, alguns meses após a sua última aparição pública no estádio San Siro na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão, foi avançada pelo AC Milan, sem indicar mais detalhes sobre as circunstâncias.

O jogador foi um dos defesas mais titulados da história do futebol mundial. Representou o AC Milan ao longo de 20 épocas, 15 das quais como capitão, e somou 719 jogos pelo clube, pelo qual ganhou 21 títulos, incluindo seis ligas italianas.

Venceu ainda três Liga dos Campeões/Taça dos Campeões Europeus (1988/89, 1989/90 e 1993/94), duas Taças Intercontinentais (1989 e 1990) e três Supertaças Europeias (1989, 1990 e 1994).

Pela seleção principal de Itália, Baresi fez parte da equipa que conquistou o Campeonato do Mundo de 1982, disputado em Espanha.