Associação de Futebol pede cessação de contrato-programa
Organismo liderado por Rui Coelho esclarece “um conjunto de acontecimentos que inviabilizam a concretização" do Torneio Autonomia e, apesar das despesas feitas, não toca nos 90 mil euros atribuídos pelo Governo
O Contrato-Programa celebrado entre a Região Autónoma da Madeira, através da Secretaria Regional de Educação, Ciência e Tecnologia, e a Associação de Futebol da Madeira (AFM), na sequência da Resolução do Conselho do Governo Regional n.º 462/2026, de 30 de Abril, que autorizou a comparticipação financeira destinada à organização do Torneio da Autonomia 2026, fica sem efeito e não se aplica ao ‘Troféu Autonomia’ marcado para o próximo sábado.
Esse é o entendimento da Associação de Futebol da Madeira que já informou o Governo de “um conjunto de acontecimentos supervenientes que inviabilizam a concretização do evento nos termos em que o mesmo foi aprovado”, naquele que seria “um dos momentos desportivos mais emblemáticos das Comemorações dos 50 Anos da Autonomia da Região Autónoma da Madeira, reunindo clubes representativos das Regiões Autónomas portuguesas e da ultraperiferia europeia, reforçando os laços institucionais, culturais e desportivos entre estes territórios”.
Nem Las Palmas nem Santa Clara
Numa primeira fase, a Unión Deportiva Las Palmas comunicou a impossibilidade de participar na competição, em virtude do planeamento da sua pré-temporada desportiva, circunstância que obrigou esta Associação a equacionar uma reformulação do modelo competitivo inicialmente aprovado.
Contudo, após a realização do sorteio oficial da Liga Portugal para a época desportiva 2026/2027, verificou-se que a primeira jornada do Campeonato Nacional da I Liga colocou frente a frente o Clube Desportivo Santa Clara e o Clube Desportivo Nacional, precisamente duas das equipas previstas para disputar o Torneio da Autonomia.
Perante esta realidade, o Clube Desportivo Santa Clara comunicou à Associação de Futebol da Madeira que, por razões de natureza institucional, desportiva e competitiva, entendia não estarem reunidas as condições para participar na competição, considerando desaconselhável disputar, poucos dias antes do primeiro jogo oficial da época, um encontro de preparação precisamente frente ao adversário da jornada inaugural da Liga Portugal.
A Associação de Futebol da Madeira assume compreender e respeitar inteiramente esta posição, por entender que a mesma “salvaguarda a integridade competitiva das competições profissionais e os legítimos interesses desportivos dos clubes envolvidos”.
Cessação, por mútuo acordo, do Contrato-Programa
O organismo liderado por Rui Coelho entende que neste contexto, deixaram de estar reunidas as condições que sustentaram a candidatura apresentada, a Resolução do Conselho do Governo Regional n.º 462/2026 e o respectivo Contrato-Programa celebrado entre as partes, não sendo possível assegurar a realização do Torneio da Autonomia 2026 em conformidade com os pressupostos, objectivos estratégicos e dimensão institucional que justificaram a sua integração no programa oficial das Comemorações dos 50 Anos da Autonomia da Região.
Assim, “em conformidade com os princípios da boa-fé, da transparência administrativa e da lealdade institucional que sempre pautaram a atuação desta Associação”, foi proposta a cessação, por mútuo acordo, do Contrato-Programa celebrado entre as partes, bem como a adopção dos procedimentos administrativos e legais considerados adequados relativamente à Resolução do Conselho do Governo Regional n.º 462/2026, “porquanto o evento que constituiu o respectivo objecto deixou, por motivos supervenientes e imprevisíveis, de poder ser concretizado”.
Uma proposta que prescinde do apoio oficial que rondaria os 90 mil euros, mas que não esconde “o significativo esforço financeiro para a Associação de Futebol da Madeira na preparação do Torneio da Autonomia, e confiando na concretização do evento nos moldes aprovados”, o que a levou a assumir diversos compromissos contratuais, designadamente com unidades hoteleiras e outros fornecedores, destinados a garantir a participação das equipas convidadas, em particular do Clube Desportivo Santa Clara.
“A impossibilidade superveniente da realização do Torneio implicará, inevitavelmente, encargos e prejuízos financeiros para esta Associação, os quais são totalmente alheios à sua actuação e resultam exclusivamente das circunstâncias entretanto verificadas. Não obstante os prejuízos que esta decisão acarretará para a Associação de Futebol da Madeira, entende a sua Direção que a defesa do interesse público, da credibilidade institucional das Comemorações dos 50 Anos da Autonomia, do rigor na execução do Contrato-Programa e da boa utilização dos recursos públicos deve prevalecer sobre qualquer outro interesse”, refere a AFM.
Alternativa com custos
Não obstante a impossibilidade de realização do Torneio da Autonomia, e por forma a não comprometer a preparação desportiva dos clubes madeirenses que disputarão, na semana seguinte, a primeira jornada das competições profissionais nacionais, a Associação de Futebol da Madeira promove, exclusivamente por sua iniciativa e responsabilidade, um jogo de preparação entre o Clube Sport Marítimo e o Clube Desportivo Nacional, a realizar a 1 de Agosto de 2026, no Estádio do Marítimo. As entradas custam 5 euros por pessoa.
Esta iniciativa é natureza exclusivamente desportiva e de preparação competitiva dos clubes participantes, esperando a AFM que a mesma possa integrar o programa oficial das Comemorações dos 50 Anos da Autonomia, apesar de não se realizar ao abrigo do Contrato-Programa.