EUA assinalam 250 anos da independência sem programa especial em Portugal
Os Estados Unidos celebram no sábado o 250.º aniversário da independência sem um programa especial de comemorações em Portugal, mas a data é assinalada como um marco histórico para a comunidade norte-americana residente no país e para a relação bilateral.
Apesar do simbolismo do aniversário, a Embaixada dos Estados Unidos confirmou à Lusa que não estão previstas iniciativas específicas para esta data, que este ano coincide com as comemorações dos 250 anos da assinatura da Declaração de Independência, em 04 de julho de 1776.
Numa declaração enviada à Lusa, o embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, John Arrigo, sublinha que "não há lugar melhor para assinalar este marco do que Portugal, um dos nossos amigos e aliados mais antigos", descrevendo o "Freedom 250" como uma oportunidade para refletir sobre "os valores que têm moldado os Estados Unidos ao longo de dois séculos e meio: a liberdade, a democracia e a igualdade de oportunidades".
O diplomata recorda ainda a profundidade das relações entre os dois países, salientando que "os nossos Pais Fundadores brindaram a assinatura da Declaração de Independência com vinho da Madeira", que Portugal foi um dos primeiros Estados a reconhecer a independência norte-americana e que o consulado dos EUA em Ponta Delgada, criado por George Washington há 231 anos, continua a ser "o consulado americano em funcionamento contínuo mais antigo do mundo".
Arrigo destaca também as iniciativas já realizadas este ano no âmbito do "Freedom 250", incluindo uma receção em Lisboa com mais de dois mil convidados e uma cerimónia em Ponta Delgada para assinalar os laços históricos entre os dois países.
"Hoje celebramos também o futuro. Estou confiante de que os nossos melhores dias como parceiros ainda estão por vir", escreveu o diplomata.
Também a organização Democrats Abroad Portugal - que tem uma intensa atividade política em vários países fora das fronteiras norte-americanas - assinala a data, embora através de iniciativas de pequena dimensão.
"Os eventos em Portugal serão pequenos e discretos. Deixamos as grandes celebrações para a embaixada", explicou à Lusa a dirigente Lynnette Shaw, desconhecendo as intenções da diplomacia norte-americana em Portugal não ter nada de relevante programado.
Na mesma declaração, a responsável do movimento defende que o aniversário deve ser simultaneamente um momento de celebração e de reflexão sobre a história norte-americana, considerando que esta combina "grandes promessas e conquistas extraordinárias" com "tragédias e profundas injustiças".
Segundo Lynnette Shaw, viver em Portugal permite relativizar a juventude dos Estados Unidos enquanto nação independente, mas não diminui a importância do momento.
"Duzentos e cinquenta anos como nação independente são pouco em termos europeus, mas continuam a ser um marco para o nosso país jovem", afirma, sustentando que os próximos anos dependerão das escolhas feitas pelos cidadãos para proteger a democracia, combater abusos de poder e preservar a diversidade que, diz Shaw, "sempre foi a força da América".
As comemorações do aniversário ficaram igualmente marcadas por uma mensagem gravada por Donald Trump e divulgada pela Embaixada dos Estados Unidos em Lisboa, dirigida a John Arrigo e ao povo português.
No vídeo, o Presidente norte-americano elogia o embaixador, recordando a amizade entre ambos e afirmando que lhe deu a possibilidade de escolher o país onde pretendia exercer funções diplomáticas.
"Escolheu Portugal", diz Trump, brincando que a decisão do embaixador poderá dever-se aos "magníficos campos de golfe" portugueses.
O chefe de Estado norte-americano aproveitou ainda para deixar uma mensagem de apreço pelo país.
"Está a fazer um excelente trabalho como embaixador, e nós adoramos Portugal. Esperamos poder visitá-lo um dia, talvez em breve. Continua o bom trabalho. Cuida bem do povo de Portugal e dos Estados Unidos da América", concluiu Trump.