Quase 65% dos jovens cabo-verdianos querem emigrar
Cerca de 65% dos jovens cabo-verdianos inquiridos manifestaram, em 2025, intenção de emigrar, sobretudo pela procura de emprego e de melhores condições salariais, revelou hoje um estudo do Instituto Nacional de Estatística (INE).
O INE indicou que 64,6% dos jovens "afirmam ter intenção de emigrar, evidenciando que a mobilidade internacional continua a ser uma aspiração significativa para uma parte considerável da juventude", acrescentando que essa intenção é mais elevada entre os homens do que entre as mulheres.
Os dados constam do inquérito "Aspirações dos Jovens Cabo-verdianos 2025", realizado no primeiro semestre de 2025, com base numa amostra de 9.918 agregados familiares, selecionada de forma aleatória e representativa a nível nacional e dos 22 concelhos do país.
"A amostra apresenta um nível de confiança de 90%, para uma precisão relativa de 10%", explicou o INE.
O estudo abrangeu jovens dos 15 aos 35 anos, uma população estimada em 157.674 pessoas, correspondente a cerca de 33% da população total de Cabo Verde, e analisou áreas como educação, domínio de línguas, mercado de trabalho, emigração e perspetivas de futuro.
A maior propensão para emigrar verifica-se entre os jovens dos 15 aos 20 anos, com 78,1% a manifestarem intenção de sair do país.
Entre as ilhas, Fogo apresenta a percentagem mais elevada, com 82,3%.
Entre os motivos apontados para a emigração, a procura de trabalho surge como principal razão, seguida da continuação dos estudos.
No mercado laboral, o desemprego jovem situa-se nos 10,7%, sendo mais elevado entre as mulheres (14,7%), nos jovens urbanos e no grupo etário dos 15 aos 20 anos (16,5%).
Mais de metade dos jovens inquiridos (54,7%) considera "fracas" ou "muito fracas" as oportunidades de emprego existentes no arquipélago.
A falta de educação ou formação e os baixos rendimentos são apontados como os principais obstáculos à integração profissional.
Apesar da intenção de emigrar, entre os jovens que pretendem permanecer em Cabo Verde a proximidade e os laços familiares são a principal razão apontada, com 62,7%.
Na área da educação, o estudo indica uma taxa de alfabetização jovem de 97,9%.
O ensino secundário e a licenciatura são os níveis de escolaridade mais desejados, embora a falta de recursos financeiros e a necessidade de trabalhar sejam apontadas como principais obstáculos para alcançar a formação pretendida.
O português é a língua mais dominada pelos jovens cabo-verdianos, enquanto o inglês apresenta maior destaque na escrita.
Quanto às aspirações profissionais, 25% dos jovens indicam a Administração Pública como preferência de carreira, sobretudo entre as mulheres, enquanto 24,1% manifestam interesse em criar um negócio próprio com empregados, uma opção mais frequente entre os homens.
O INE refere que, apesar da "atual baixa taxa de empreendedorismo" jovem e da perceção de um ambiente empresarial desfavorável, existe uma tendência dos mais jovens para a criação de empresas nos próximos anos.
Entre os principais problemas identificados pelos jovens estão a falta de oportunidades de emprego (61,9%), o abuso de drogas sintéticas (52,3%), o consumo de álcool (47,1%), os salários inadequados (39,9%), o acesso à educação de qualidade (25,2%) e a gravidez precoce (20,7%).
Para os próximos cinco anos, o estudo aponta como principais prioridades da juventude cabo-verdiana a continuação dos estudos, a entrada no mercado de trabalho e o desenvolvimento de negócios próprios.
Os resultados divulgados pelo INE surgem no mesmo sentido de uma sondagem da Afrosondagem, realizada em dezembro de 2024, na qual 64% dos cabo-verdianos afirmaram já ter considerado emigrar, sendo a procura de emprego apontada como principal motivo.