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Crónicas

O Porto Santo é o futuro, mas…

No verão os turistas vão à praia. E o que fazem nos outros nove meses?

Desde o meu avô que ouvi a previsão de que o Porto Santo era a terra do futuro. Convenceu-me da ideia ao fazer casa na década de 50 e investindo na Ilha. O meu pai continuou, eu insisti e as minhas filhas já têm de seu por lá. Quanto mais se viaja, visitei pelo menos cinquenta ilhas no mundo, mais evidente se apresenta o potencial do Porto Santo.

Mas é preciso fazer por isso. Não deixar estragar mais. Dedicar orientação disciplinada no que acontece.

Antes de mais opinião quero testemunhar o histórico trabalho em prol de melhor vida para a população do Porto Santo. Nem sempre com acerto, mas certamente com a vontade de agradar, justificar a democracia e dar mais autonomia a Porto Santo que o mero e tradicional poder autárquico. Não foram criadas estruturas de governo próprio, que não faziam sentido, mas foi respeitada uma coordenação administrativa com muito conteúdo político.

De tal forma que, sempre que o PSD liderou a câmara, se tiveram dois polos políticos, por vezes, paralelos.

Mas não foi por aí que vieram dificuldades.

O primeiro trabalho público foi garantir, aos portosantenses e demais residentes, as condições de vida o mais equiparadas possíveis à Madeira. Era pedido, era feito.

Das primeiras coisas que fiz, enquanto governante, foi construir o porto, da primeira pedra ao último bloco, e adquirir navios rápidos para a travessia com o Funchal. Uma primeira revolução no isolamento da Ilha, seguido da extensão, pelo governo nacional, da pista aeroportuária. Junto com as telecomunicações foram os investimentos estratégicos prioritários. Simultaneamente veio tudo o mais que aqui não é possível nomear. Foi o tempo de ajudar a população a viver melhor, com mais satisfação e segurança.

Agora é tempo de investir na economia do Porto Santo, para que a população assegure rendimento suficiente. Não é tempo de dar peixe mas sim de disponibilizar canas de pesca.

Para isso é preciso governar com critério, rigor e disciplina. Algo que só se consegue com paixão pelo Porto Santo. Própria de quem lá nasceu ou adotou como nova “pátria”.

Vejamos o que se passa!

O pior que sempre aconteceu e ainda se vê é tudo poder acontecer na Ilha. De bom e de errado. Não há impossíveis.

Uma estação de combustíveis no centro da Cidade, entretanto removida; um supermercado recente e estúpido, com responsabilidade política, que tudo entope e que é mais urgente retirar que o vizinho Centro de Saúde (caos no trânsito, impossível estacionar e não tem o que se quer comprar); um palco com animação musical que não dá sossego nem deixa adormecer na Cidade; uma discoteca com ruído que a extravasa; uma dessalinizadora no coração da Cidade; quantidade monstruosa de sucata espalhada pela Ilha; palmeiras decepadas; e uma obra prima junto ao aeroporto que se pode ver na foto.

Estas realizações são descabidas ou estão no lugar errado. Com prejuízo colectivo. Outra coisa foram “investimentos” falhados com gastos públicos exorbitantes que deviam ser varridos da nossa vista. É uma dor social sempre que os vemos. Vêm-nos à cabeça o que de bom podia ter sido feito com acerto e qualidade. Foi o tempo descontrolado da dívida pública. De sermos enganados sem pudor. Apaguem esse rasto!

O abuso é outra realidade em Porto Santo. Há quinze dias pediram para limpar um terreno nas Pedras Pretas. Golpada descarada. Fizeram uma rampa a partir da estrada regional, rebentaram o muro protector e assim vai ficar até que mudem o plano municipal de acesso ao terreno. É um vale tudo que demonstra falta de autoridade. Não pode ser. Ou temos todos os mesmos direitos!

Mas é na construção que mais nos assustamos. A diversidade de estilos arquitectónicos por todas as ruas demonstra ausência de regras orientadoras e obrigatórias. Cada um quer à sua maneira e desliga-se do efeito global da Ilha. E há sempre um arquitecto disponível.

É aqui que se exige mundo, com exemplos de qualidade e harmonia. Que torne a paisagem e o ambiente apeladores de investimento. Um padrão que seja.

Louvo o presidente Nuno Batista por prometer rever o Plano Director Municipal. Espero que seja eficiente e bem aconselhado para o que se segue em Porto Santo. Será histórico para a Ilha e deixará uma marca que se projectará nas próximas décadas. Fazê-lo com acerto e garantir execução disciplinada é desafio gigante. Decisivo para o futuro. Não pode errar. Deus o abençoe!

Deixo uma palavra ao Roberto Silva a quem o Porto Santo deve dedicação e trabalho. Esta dupla política actual tem mais para ajudar o Porto Santo do que eles próprios imaginam.

Ainda me lembro dos que mandavam e não queriam planos para poderem autorizar tudo o que entendessem. Assim agradavam a todos, captavam votos fáceis e só recebiam aplausos e vénias. São responsáveis por grande parte da porcaria que anda por aí. Quando nos lembramos deles temos pena de não termos podido impedir muito do que fizeram ou deixaram fazer.

O futuro de Porto Santo tem forçosamente duas estações: o verão e o resto do ano. Antes de decidir se ficam em hotéis ou residências é preciso saber o que vêm fazer à Ilha. Cada opção tem a sua preferência.

O verão é sobretudo o tempo do turismo da Madeira, dos demais portugueses e europeus do sul. Procuram praia, piscina, sol, paz, descanso, gastronomia e animação. Ficam em hotéis e residências que alugam. Uma grande parte é turismo residencial, não é alojamento local.

Nos demais nove meses, altera-se a procura pela Ilha. Já não é a praia nem a piscina o principal cartaz mas uma Ilha com bom clima para a prática de actividades ao ar livre, que tanto podem ser terrestres como aquáticas.

Aqui entra o golfe, o ténis, o padel, a equitação, o passeio pedestre, o mergulho submarino, etc. Se não for por aqui nada mais há para oferecer.

Parece claro que o golfe será o maior atrativo turístico pois, caso raro, todos os dias do ano é possível praticá-lo. Uma garantia indiscutível. Ao contrário da Madeira.

Aliás basta ver a actual operação de “inverno” com dinamarqueses que jogam golfe no campo desenhado por Severiano Ballesteros. Um programa que tem de exigir um pagamento muito superior para a prática da modalidade. Nunca menos de setenta e cinco euros.

No mínimo, com metade dos jogadores, serão mais de três milhões de euros de receita anual por campo, devendo acrescentar-se receitas de restauração, bares, táxis e serviços diversos. O dinheiro suficiente para investir, aprimorar a qualidade do campo e oferecer serviços que não existem. O jogador de golfe britânico e alemão é diferente e bem melhor que o escandinavo. O norte americano nem se fala. Têm paixão pelo golfe e viajam para jogá-lo todos os dias. São as suas férias preferidas.

O golfe de Porto Santo precisa de um competente e dinâmico profissional comercial, português ou estrangeiro, que faça realizar a mesma operação que o Algarve, Sul de Espanha, Marrocos e Canárias. Em nenhum destes destinos de golfe se encontram dinamarqueses, muito menos a pagarem o mesmo que em Porto Santo.

E os praticantes britânicos, alemães e franceses serão o grande mercado para os nove meses em que não se vende a praia ou piscina.

Com quatro campos o Porto Santo será uma jóia do golfe. Mas não com um campo, mesmo que outro meio campo venha aí.

O próximo PDM tem de ser a salvaguarda da expansão do golfe na Ilha fazendo-se a necessária reserva de espaço para mais dois campos. À volta do Pico das Eiras até próximo do lado norte do aeroporto. Tem área disponível e é zona não procurada.

E não se preocupem com a água. Marrocos e Canárias não a têm. Algarve e Espanha não autorizam uso para este fim. A água para o golfe é toda dessalinizada. E paga.

Tudo isto do golfe só é possível em Porto Santo. Na Madeira todos os campos estão em altitude, com muita chuva, nevoeiro e frio. Não se sabe quando se pode jogar. E muitas vezes é desagradável. Mesmo no verão, por vezes, corre mal. Só o campo da ribeira do Faial pode salvar a honra do convento.

Fixem isto: numa viagem com amigos para jogar golfe, anual e normalmente sem os cônjuges, o que interessa é ter golfe garantido e com boa qualidade. O resto são copos e jantaradas. Tudo isto existe nos destinos que antes referi. Podia haver em Porto Santo.

Tem empresários de turismo em Porto Santo com experiência no negócio do golfe. Outros poderão querer vir. É tudo uma questão de empenho político do governo. E, claro, não pagar, mas habilitar os terrenos para o investimento no golfe. Em simultâneo virá o investimento no turismo, hoteleiro e residencial, desde há muito planeado.

Para quem tem responsabilidades, vejam o que a câmara comunista de Grândola fez em Tróia e na Comporta. Transformaram um reduto de pobreza, último registo de malária na Europa, na região mais procurada de Portugal por reis e rainhas, estrelas de cinema, empresários e milionários de toda a espécie, que ali gastam o seu dinheiro.

Uma hora e meia de avião mais uma de carro e podem lá ir ver como é e sonhar com o futuro de Porto Santo.

Miguel Albuquerque precisa encarregar alguém, com mundo e tempo, para ajudar o Porto Santo. Os que tem com ele não têm tido essa disponibilidade. Turismo e transportes aéreos não dá para misturar com outras tarefas. E sem dedicação exclusiva não há resultados.