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Guerra no Irão Mundo

Trump justifica suspensão de ataques com mais uma possibilidade à diplomacia

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Foto  EPA/BONNIE CASH

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse hoje, durante uma entrevista ao portal norte-americano Axios, que ordenou a suspensão dos bombardeamentos contra o Irão para dar mais uma possibilidade às negociações de paz.

"Estamos em negociações muito profundas com o Irão. Se não resultarem, voltaremos a tomar medidas militares muito fortes", advertiu durante a entrevista.

Questionado sobre o prazo que está disposto a dedicar à diplomacia, o líder da Casa Branca respondeu: "Não muito tempo. Ou avança depressa ou não avança de todo".

O dirigente norte-americano disse ter concordado na passada sexta-feira com a suspensão dos ataques contra a República Islâmica a pedido dos seus aliados no Médio Oriente, que estão a mediar o conflito.

"Todos os que lidam com o Irão pediram-me: 'Não dispare'", relatou.

As declarações de Trump antecedem o seu encontro previsto para terça-feira com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que estará presente em Washington para o funeral do senador republicano Lindsey Graham.

"Vou falar com Bibi [Netanyahu] sobre o facto de que, se eu não fosse Presidente, o Irão já teria armas nucleares e Israel já teria sido destruído", comentou.

Os Estados Unidos realizaram na quinta-feira a última vaga de bombardeamentos contra a República Islâmica, no 13.º dia consecutivo de ataques desde o colapso do cessar-fogo aceite pelas partes em junho, para interromper as hostilidades iniciadas pela ofensiva israelo-americana em 28 de fevereiro e como forma de abrir espaço para negociações de um acordo paz definitivo.

As conversações são centradas no levantamento do bloqueio militar do Irão ao tráfego marítimo comercial no estreito de Ormuz e no programa nuclear iraniano.

Segundo o Axios, as negociações estão a ser desenvolvidas sobretudo por Irão e Omã, mas o Qatar, o Paquistão, o Egito e os enviados da Casa Branca, Steve Witkoff e Jared Kushner, estão igualmente bastante envolvidos.

"Nada [está] ganho, nada perdido", disse Trump ao portal norte-americano sobre o motivo que o levou a aceitar o pedido dos mediadores para suspender os ataques conta o Irão.

O Presidente norte-americano observou ainda que, desde então, os preços do petróleo caíram e o mercado de ações subiu.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã conversou hoje com os homólogos do Irão, Qatar, Kuwait, Arábia Saudita e Egito para debater um "acordo justo" sobre a navegação no estreito de Ormuz.

"As conversações abordaram formas de melhorar as oportunidades para alcançar acordos práticos, justos e duradouros sobre a navegação e o fluxo das cadeias de abastecimento, através de soluções políticas e diplomáticas que sirvam os interesses coletivos dos países da região e de todas as partes beneficiárias da navegação pelo estreito de Ormuz", afirmou Badr al-Busaidi, citado num comunicado da diplomacia de Omã.

No entanto, Omã não forneceu mais detalhes sobre o conteúdo destas conversas telefónicas.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano afirmou no domingo que se foram registados avanços nas conversações com Omã sobre a gestão do estreito de Ormuz.

Omã e o Irão partilham o controlo das águas do estreito de Ormuz, por onde transitava cerca um quinto dos produtos petrolíferos comercializado por via marítima em todo o mundo antes do início da guerra desencadeada por Estados Unidos e Israel contra o Irão.

No final de junho, Omã criou, com o apoio dos Estados Unidos, um corredor marítimo temporário isento de taxas para facilitar a passagem pelo estreito.

O Irão respondeu atacando embarcações que utilizavam essa rota, o que levou Washington a intensificar os seus bombardeamentos sobre território iraniano.