Diplomacia dos EUA diz esperar visita positiva de líder chinês a Washington
O secretário de Estado norte-americano disse hoje esperar uma visita "muito positiva" do Presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos, mas Pequim voltou a criticar as "ações negativas" dos EUA.
"Falámos bastante sobre a visita de setembro, e esse era o principal objetivo. Tratava-se simplesmente de estabelecer as bases para outra visita positiva. Acredito que o Presidente Xi terá uma visita muito positiva quando vier a Washington", declarou Marco Rubio aos jornalistas, à margem da reunião de chefes da diplomacia da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), em Manila, de acordo com uma transcrição divulgada pelo Departamento de Estado norte-americano.
Na sequência do encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, Rubio afirmou que a deslocação de Xi, ainda não oficialmente confirmada por Pequim, poderá ocorrer no outono, na sequência do convite formulado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a cimeira bilateral realizada em maio, em Pequim.
O chefe da diplomacia norte-americana reconheceu que Washington e Pequim mantêm divergências profundas, mas defendeu a necessidade de preservar um diálogo permanente entre as duas maiores economias mundiais, repetindo o tom mais suave com que Trump tem recentemente abordado as relações entre os dois países.
"Somos os dois países mais poderosos do mundo, especialmente a nível económico. Precisamos de manter um bom relacionamento", afirmou Rubio, acrescentando que "existem grandes diferenças" entre os dois países e que o objetivo da diplomacia é "geri-las para que nunca se descontrolem".
Pela parte chinesa, Wang Yi apelou aos Estados Unidos para respeitarem os "interesses fundamentais" da China e criticou o que classificou como uma sucessão de "declarações e ações negativas" de Washington.
Segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang defendeu que ambos os países devem gerir adequadamente as diferenças e aproveitar "as oportunidades" para estabilizar as relações bilaterais.
A nota chinesa classificou o encontro como "positivo e construtivo", acrescentando que ambas as partes concordaram em recorrer aos canais políticos e diplomáticos para manter uma evolução estável da relação bilateral e trocaram ainda opiniões sobre vários focos de tensão internacional.
O encontro decorreu num contexto de relativa estabilização das relações sino-americanas, após a cimeira de maio entre Trump e Xi, e da trégua comercial alcançada entre os dois países durante a cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), em outubro passado.
Questionado sobre as recentes acusações de Trump de que Pequim interferiu nas eleições presidenciais norte-americanas de 2020, Rubio afirmou que o tema não foi abordado durante a reunião.
As conversações decorreram também num momento de forte tensão no mar do Sul da China, onde Pequim mantém disputas territoriais com vários países do Sudeste Asiático.
O Departamento de Estado norte-americano condenou na véspera as "ações perigosas e agressivas" da China, após um confronto entre a guarda costeira chinesa e militares filipinos, instando Pequim a cessar o que classificou como comportamento desestabilizador.
Pequim reivindica praticamente a totalidade do mar do Sul da China, uma via marítima por onde passa cerca de 30% do comércio mundial e cuja soberania é igualmente reclamada, em diferentes zonas, por Filipinas, Vietname, Malásia, Brunei e Taiwan.