Trump ameaça destruir infraestruturas civis iranianas por cada ataque no estreito de Ormuz
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou hoje destruir infraestruturas civis iranianas sempre que Teerão atacar navios no estreito de Ormuz, numa altura em que prosseguem os confrontos entre os dois países.
"A partir de agora, sempre que a República Islâmica do Irão disparar contra um navio no estreito de Ormuz, seja com um míssil, um 'rocket', um drone ou qualquer outro dispositivo ou arma, os Estados Unidos bombardearão e destruirão uma ponte ou uma central elétrica", escreveu Trump na rede social Truth Social.
A ameaça surge após a 11.ª noite consecutiva de ataques aéreos norte-americanos contra o Irão, que, segundo o Pentágono (Departamento de Defesa), visaram hangares de aeronaves e depósitos de drones.
Em resposta, o Irão lançou mísseis contra a cidade de Aqaba, na Jordânia, junto à fronteira com Israel.
As Forças Armadas jordanas afirmaram ter intercetado quatro mísseis e quatro drones, enquanto outros projéteis caíram em zonas desabitadas. Também foram emitidos alertas de mísseis no Bahrein e na Arábia Saudita, embora as autoridades sauditas tenham posteriormente indicado que o perigo tinha passado.
Segundo o Ministério da Saúde iraniano, os ataques norte-americanos dos últimos 11 dias provocaram 53 mortos, entre os quais seis mulheres e três crianças, e cerca de 600 feridos.
A Guarda Revolucionária iraniana garantiu que continuará os ataques de retaliação, enquanto o Governo de Teerão mantém a disputa em torno do estreito de Ormuz, por onde, em tempos de paz, transita cerca de um quinto do petróleo e do gás comercializados a nível mundial.
Numa declaração na Casa Branca, Trump voltou na terça-feira a mostrar pouco interesse em retomar negociações com Teerão e admitiu novos ataques contra instalações nucleares iranianas, incluindo um complexo subterrâneo em construção junto ao centro de enriquecimento de Natanz.
Também o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, condenou as ações iranianas no estreito de Ormuz durante uma reunião da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), a decorrer nas Filipinas, afirmando que permitir a um Estado controlar uma via marítima internacional e atacar navios comerciais criaria "um precedente muito perigoso".
Entretanto, o porta-voz do Ministério do Interior iraniano, Ali Zeinivand, afirmou que "a diplomacia não foi suspensa" e que continuam a ser trocadas mensagens entre as partes, apesar da escalada militar.
O recrudescimento dos ataques entre os Estados Unidos e o Irão nas últimas semanas ditou o fracasso do memorando de entendimento que tinham negociado em junho, sob mediação do Paquistão.
Em retaliação aos mais recentes ataques norte-americanos, Teerão tem atacado países aliados dos Estados Unidos na região, como é o caso do Kuwait, Bahrein e Jordânia.
A guerra começou em 28 de fevereiro, com o lançamento de uma ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, a que Teerão respondeu com ataques na região e o bloqueio do estreito de Ormuz.