Líderes iranianos a levar negociações "cada vez mais a sério"
O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou hoje que os líderes iranianos estão a levar "cada vez mais a sério" as negociações para pôr fim ao conflito.
"Acho que estão cada vez mais a levar a sério [as negociações] com o passar dos dias, talvez por uma razão óbvia", disse Trump aos jornalistas na Sala Oval da Casa Branca.
"Mas isso não significa que vamos conseguir. Veremos o que acontece. Mas prefiro sempre esta alternativa", disse Trump, que ameaçou esta semana destruir pontes e instalações elétricas no Irão, incluindo na capital, Teerão, caso a Guarda Revolucionária continue a atacar petroleiros no estreito de Ormuz.
Os confrontos entre Teerão e Washington recomeçaram em 07 de julho, concentrando-se no estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica para o comércio global de petróleo.
Washington recusa permitir que Teerão mantenha o controlo que estabeleceu sobre esta rota marítima desde o início da guerra.
Segundo Trump, o seu executivo está "totalmente preparado e pronto para agir", mas está a falar com a liderança da República Islâmica.
O Presidente norte-americano insistiu que os iranianos por vezes "não querem admitir que desejam chegar" a uma resolução para o conflito, que se intensificou nas últimas duas semanas com ataques contínuos.
"Querem jogar duro, mas querem chegar a um acordo. Estamos a falar com eles agora", acrescentou.
Recusou ainda estar sob pressão por causa das próximas eleições intercalares de novembro, enquanto a escalada do preço do petróleo alimenta receios de subida da inflação, que poderá gerar rejeição dos eleitores em relação a Trump e aos republicanos.
Pelo menos 18 militares norte-americanos morreram na guerra, quatro deles na recente escalada do conflito.
Na quinta-feira, Trump disse ao site de notícias Axios que está a considerar lançar um "ataque maciço" contra a República Islâmica, maior do que a ofensiva lançada pelos Estados Unidos e Israel a 28 de fevereiro, que levou à atual guerra.
Hoje, segundo o The New York Times, Trump reuniu-se com os seus principais conselheiros para avaliar se deve intensificar a guerra contra o Irão.
O Times noticiou esta semana, citando fontes anónimas, que o Irão rejeitou uma proposta de cessar-fogo transmitida por Trump, através do primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi.
Depois de se ter reunido com Trump na Casa Branca, a 14 de julho, Al-Zaidi deslocou-se ao Irão e reuniu-se com o Presidente Masoud Pezeshkian, principal negociador da República Islâmica, com o brigadeiro-general Mohammad Bagher Ghalibaf, e com o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi.
Segundo o diário norte-americano, Teerão rejeitou a proposta especificamente porque deixava a situação do estreito de Ormuz por resolver e, separadamente, rejeitou a própria mediação iraquiana, dizendo que "já existem intermediários suficientes".
Contudo, o governo iraquiano negou publicamente a versão do Times, também não confirmada por Teerão, que através do Ministério dos Negócios Estrangeiros disse apenas que Washington tinha "proposto" algo sem abordar esta questão central.