Justiça iraniana com mais de 3.000 queixas por "crimes de guerra" de Israel e EUA
As instâncias judiciais do Irão registaram mais de 3.000 queixas por "crimes de guerra" cometidos por Israel e pelos Estados Unidos durante a guerra de 12 dias de 2025 e o conflito iniciado em 28 de fevereiro deste ano.
"Foram apresentadas mais de 3.000 queixas nos tribunais civis e a Vice-Presidência Jurídica da Presidência e o Ministério dos Negócios Estrangeiros estão a levar por diante o processo para perseguir" os autores destes crimes e apresentá-los "perante organismos internacionais", afirmou hoje o porta-voz do Poder Judiciário iraniano, Asgar Jahangir.
Este responsável explicou que a Justiça iraniana documentou os danos causados pelos conflitos, tanto durante a guerra de 12 dias de junho de 2025 como durante o conflito que teve lugar entre 28 de fevereiro e 08 de abril deste ano, e instaurou "centenas de processos penais contra responsáveis norte-americanos e israelitas por crimes de guerra".
Asgar Jahangir indicou que os danos foram classificados, de acordo com o Estatuto de Roma, em três categorias: "crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio."
Segundo Jahangir, a documentação inclui ataques deliberados contra civis, hospitais, escolas, instalações nucleares e infraestruturas vitais do país.
Além disso, afirmou que o relatório sobre os crimes israelitas durante a guerra de 12 dias contra o Irão foi apresentado às Nações Unidas como documento oficial.
"Todo o agressor e quem inicia uma guerra deve ser perseguido e julgado e, além de ser julgado e punido, deve indemnizar os danos causados ao país atacado", afirmou.
Durante a guerra de junho de 2025, mais de 1.100 pessoas perderam a vida no Irão, entre elas dezenas de altos responsáveis governamentais e militares, enquanto outras 3.400 morreram durante os 39 dias de bombardeamentos israelo-americanos entre fevereiro e abril deste ano.
Além disso, a última guerra causou danos avaliados em 270.000 milhões de dólares, segundo o Governo iraniano, devido aos ataques contra infraestruturas civis, indústrias e instalações petroquímicas.