Iniciativa Liberal critica novo modelo de prescrição de fisioterapia
Gonçalo Maia Camelo defende que outras especialidades médicas possam prescrever tratamentos de Medicina Física e Reabilitação para evitar constrangimentos no Serviço Regional de Saúde
A Iniciativa Liberal manifestou, em nota enviada, preocupação com o novo modelo de acesso à Medicina Física e Reabilitação (MFR), considerando que as alterações introduzidas podem dificultar o acesso atempado dos utentes aos tratamentos de fisioterapia e criar constrangimentos no Serviço Regional de Saúde.
Em comunicado, o partido refere que estas preocupações saíram reforçadas após as audições realizadas ontem, no âmbito da 5.ª Comissão Especializada Permanente de Saúde e Protecção Civil da Assembleia Legislativa da Madeira, que ouviu o bastonário da Ordem dos Fisioterapeutas, António Lopes, o presidente da Ordem dos Médicos da Madeira, Gil Bebiano, e a presidente do Conselho de Administração do IASaúde, Rubina Freitas. Embora não integre a comissão, o deputado Gonçalo Maia Camelo acompanhou os trabalhos.
A IL contesta o facto de o novo modelo concentrar a competência para prescrever tratamentos de fisioterapia nos médicos fisiatras e, em situações específicas, nos pediatras, defendendo que essa possibilidade seja alargada a outras especialidades médicas. Segundo o partido, um ortopedista deveria poder prescrever tratamentos relacionados com patologias ortopédicas, um neurologista no âmbito das doenças neurológicas e o mesmo princípio deveria aplicar-se às restantes especialidades, permitindo uma resposta mais rápida e ajustada às necessidades dos doentes.
"O novo modelo concentra desnecessariamente a capacidade de prescrição numa única especialidade médica, criando um estrangulamento que poderá traduzir-se em atrasos evitáveis no acesso aos tratamentos", afirma Gonçalo Maia Camelo, considerando que não faz sentido limitar essa competência quando existem outros médicos habilitados para avaliar os doentes e prescrever os cuidados necessários.
O deputado liberal entende que esta opção poderá aumentar a pressão sobre uma especialidade que já enfrenta limitações de recursos humanos, introduzindo obstáculos burocráticos sem benefícios evidentes para os utentes.
"Quem acabará por pagar o preço destas limitações serão, inevitavelmente, os utentes. Sempre que se cria um passo adicional ou se restringe o acesso aos profissionais que podem prescrever um tratamento necessário, aumenta-se o risco de atrasos, de agravamento das patologias e de perda de qualidade de vida", sustenta.
A Iniciativa Liberal defende um modelo de Medicina Física e Reabilitação "mais aberto, funcional e centrado nos utentes", baseado na autonomia técnica dos profissionais de saúde e na valorização das competências das diferentes especialidades médicas, garantindo uma resposta mais eficiente e um acesso mais célere aos cuidados de fisioterapia.