OIM apela a fundos de 85 ME para apoiar comunidades venezuelanas afectadas
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) lançou hoje um apelo para angariar 98 milhões de dólares (85,2 milhões de euros) para apoiar famílias e comunidades afetadas pelos sismos que devastaram a Venezuela em junho.
No apelo, a agência das Nações Unidas delineou a resposta para os próximos 12 meses, sublinhando que o financiamento solicitado visa sobretudo proporcionar "alojamento seguro e digno, assistência vital, apoiar os esforços de recuperação imediata e ajudar as comunidades afetadas a reconstruir-se nos próximos meses".
A chefe da missão da OIM na Venezuela, Lia Poggio, salientou que "o povo da Venezuela demonstrou uma resiliência extraordinária, mas a recuperação levará tempo e exigirá um apoio sustentado", de acordo com um comunicado da agência.
"Este apelo vai contribuir para garantir que as famílias recebam a assistência de que necessitam, incluindo um local onde ficar, ao mesmo tempo que vai permitir às comunidades superar a emergência, reconstruir os serviços essenciais e lançar as bases para uma recuperação segura e duradoura", indicou.
O apelo centra-se em áreas prioritárias, incluindo alojamento e coordenação dos locais de acolhimento, recuperação precoce e saúde, apontando a OIM que vai dar prioridade "à segurança, à dignidade, à responsabilização e à inclusão, garantindo que as pessoas afetadas estejam no centro da tomada de decisões e dos esforços de recuperação".
"Trabalhando em estreita colaboração com as autoridades governamentais, as comunidades locais e os parceiros humanitários, a OIM apoiará uma resposta coordenada e baseada nas necessidades, que abranja tanto as áreas fortemente afetadas como as mais carenciadas", disse a agência da ONU.
A OIM lembrou que os sismos de 25 de junho e as réplicas subsequentes causaram danos extensos em vários estados, incluindo La Guaira, Distrito Capital, Miranda, Carabobo, Aragua e Falcón, tendo milhares de famílias ficado desalojadas, enquanto os danos em habitações, unidades de saúde, sistemas de abastecimento de água e outras infraestruturas essenciais perturbaram gravemente o acesso a serviços essenciais.
"Desde o início da situação de emergência, a OIM tem trabalhado em conjunto com as autoridades venezuelanas, as agências das Nações Unidas e os parceiros humanitários para apoiar as pessoas afetadas pelos sismos", indicou a agência, detalhando que tem vindo a "gerir abrigos coletivos, a prestar assistência na área da saúde e da proteção, a liderar os esforços de coordenação nos abrigos coletivos e a ajudar as famílias desalojadas a aceder a serviços essenciais".
Até à data, prosseguiu a agência, "a OIM prestou assistência a cerca de seis mil pessoas em locais de acolhimento coletivo sob a sua coordenação e prestou mais de 10 mil serviços, incluindo alojamento temporário, cuidados de saúde e assistência em matéria de proteção".
De acordo com os dados mais recentes, divulgados na quinta-feira pelas autoridades venezuelanas, o número de mortos confirmados na sequência dos sismos ascende a 4.930, enquanto o número de feridos e desalojados mantém-se nos 16.740 e 17.907, respetivamente.
Entre as vítimas mortais contam-se pelo menos 120 portugueses e lusodescendentes, enquanto 50 estão desaparecidos.