PS recomenda criação de programa de apoio à comunidade portuguesa e luso-venezuelana
O Partido Socialista (PS) recomendou hoje ao Governo a criação de um programa de apoio urgente à comunidade portuguesa e luso-venezuelana atingida pelos sismos de 24 de junho de 2026 na Venezuela.
"Neste quadro geral de grande complexidade e necessidade urgente, onde se encontram muitos portugueses e luso-venezuelanos em situação de grande precariedade, é tempo para Portugal estar ao lado da sua comunidade de uma forma urgente, estruturada e à altura da dimensão da tragédia, o que pode traduzir-se num programa de apoio especial abrangente, com instrumentos claramente identificados, meios adequados e estruturas de canalização eficazes, capaz de minorar o sofrimento de tantos compatriotas e de acompanhar a sua recuperação no longo prazo", lê-se na resolução proposta pelo PS.
Segundo o documento, o programa visa fornecer apoio na área da saúde e social, bem como apoio ao regresso e a situações de emergência imediata a todos os cidadãos portugueses e luso-venezuelanos.
Além do programa de apoio, o PS recomendou a criação de condições e incentivos "para que empresas portuguesas se candidatem às obras de reconstrução e de reabilitação habitacional e de infraestruturas na Venezuela, aproveitando as oportunidades geradas pelo processo de reconstrução e potenciando o contributo da presença empresarial portuguesa para a criação de emprego e para a recuperação económica das comunidades portuguesas e luso-venezuelanas afetadas".
O partido pede ainda ao Governo que "reforce o apoio ao movimento associativo português na Venezuela", para que as associações ajudem as comunidade afetadas.
O duplo sismo que abalou a Venezuela em 24 de junho causou a morte a 119 portugueses e lusodescendentes, de acordo com o mais recente balanço avançado hoje pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português.
Entre os 119 cidadãos portugueses e lusodescendentes mortos, dos quais 96 eram adultos e 23 menores, 102 tinham também a nacionalidade venezuelana.
O MNE português referiu ainda que continuam desaparecidos 50 cidadãos portugueses.
No total, o número de mortos subiu na terça-feira para 4.734, enquanto o de feridos se manteve em 16.740, segundo o mais recente balanço oficial divulgado pelo Governo venezuelano.
Vários países, incluindo Portugal e outros Estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.
Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.