Gonçalo Maia Camelo mostra "duas Madeiras"
"Se me pedissem para definir o Estado da Região numa só palavra, eu diria que o mesmo é bipolar. Porque existem actualmente duas Madeiras. A Madeira que o Governo apresenta. E a Madeira com que os madeirenses vivem. A Madeira dos recordes. E a Madeira da vida real", afirmou Gonçalo Maia Camelo na abertura da sua intervenção no encerramento do debate do Estado da Região.
Uma Madeira "onde o custo de vida cresce mais depressa do que a capacidade das famílias para o acompanhar. E a Madeira onde as empresas continuam a ser confrontadas com burocracia, proibições e custos de contexto excessivos2.
Estamos, diz, perante duas narrativas distintas. "Quando o Governo fala do estado e do sucesso da Região, fala, essencialmente, do crescimento do PIB. E ninguém nega que a Madeira tem evoluído. Mas crescer não é suficiente. É preciso perguntar: A qualidade de vida dos madeirenses está a acompanhar o ritmo de crescimento dos indicadores que o Governo celebra", pergunta.
O crescimento económico "não deve ser encarado como um fim em si mesmo. Mas sim como um instrumento. E o problema é que o Governo se habituou a medir o sucesso pelas estatísticas. A Iniciativa Liberal prefere medi-lo pelos resultados. Porque os madeirenses não vivem de estatísticas".
Uma Região pode apresentar "excelentes indicadores e, ao mesmo tempo, falhar naquilo que mais importa. A qualidade de vida dos seus cidadãos. A robustez das suas empresas. E para que assim não seja, a Madeira precisa de uma mudança. Não de uma mudança de objetivos, mas sim de métodos. Precisamos de um Governo menos preocupado em anunciar e gerir estatísticas e recordes. De um Governo mais preocupado em avaliar e reformar. Menos focado na quantidade de despesa. E mais focado na qualidade dos resultados".