Há 77 anos nascia a Casa dos “fatos que não têm fim”
As imagens mostram diferentes momentos da Casa Amorim já no século XXI, revelando as mudanças no espaço e na apresentação de uma loja que mantém a mesma identidade desde 1949
No dia 16 de Julho de 1949, o Largo do Phelps viu nascer um estabelecimento que viria a marcar gerações de madeirenses: a Casa Amorim.
Fundada por José Luís D'Amorim e pelo filho Jacinto Luís D'Amorim, a loja abriu portas numa zona da cidade que estava longe de ser o principal centro comercial do Funchal. A Rua Fernão de Ornelas encontrava-se ainda em desenvolvimento e a ligação ao Mercado dos Lavradores só seria reforçada alguns anos mais tarde com a construção da ponte pedonal.
A aposta revelou-se acertada. O negócio começou como casa de tecidos e artigos para vestuário masculino, numa época em que a roupa por medida ainda dominava os hábitos de consumo e os alfaiates constituíam uma parte importante da clientela.
Os primeiros anúncios publicados no DIÁRIO, a 31 de Julho de 1949, testemunham essa realidade. Num deles, a Casa Amorim anunciava uma “grande colecção de fatos para homem” dos “melhores fabricantes do País”, convidando os leitores a visitar o estabelecimento do Largo do Phelps. Noutro reclamo, dirigia-se directamente “aos srs. alfaiates”, promovendo a venda de forros, entretelas, sargelim, crina e outros materiais indispensáveis à confecção de fatos.
Ao longo das décadas, a loja acompanhou a evolução dos tempos, passando gradualmente da venda de tecidos para o pronto-a-vestir masculino, sem abdicar da aposta na qualidade e no atendimento personalizado. Foi também dessa trajectória que nasceu o célebre slogan dos “fatos que não têm fim”, expressão que se tornou uma das mais conhecidas do comércio tradicional madeirense.
Reconhecida actualmente como uma das Lojas com História do Funchal, a Casa Amorim continua de portas abertas 77 anos depois da inauguração, mantendo viva uma marca que atravessou gerações e acompanhou a transformação da cidade e dos seus hábitos de consumo.
Que mais era notícia há 77 anos?
A inauguração da Casa Amorim não chegou às páginas do DIÁRIO de 16 de Julho de 1949, mas a edição desse dia permite viajar até à Madeira do pós-guerra. Consulte o jornal e descubra o que preocupava, interessava e mobilizava os madeirenses da época.