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No fim, recomeça a esperança

A diversidade deixou de ser um desafio periférico para se afirmar como uma condição da própria excelência académica

As universidades vivem um tempo de profundas transformações. A crescente diversidade dos estudantes, as exigências da inclusão, a evolução das políticas científicas e a necessidade de formar cidadãos críticos obrigam-nos a repensar o ensino superior para lá das métricas, dos rankings e da produção científica. Hoje, mais do que nunca, importa perguntar: que universidade queremos construir? É aqui que entra toda a dignidade da Filosofia: pensar, questionar e encontrar na resposta a possibilidade de sermos melhores.

Foi assim que os trabalhos apresentados nas recentes jornadas científicas em educação do CeiED procuraram responder, não de forma inequívoca, mas numa lógica de debate aberto em que o confronto de ideias é fomentado. Não é esta a função de um centro de investigação? Maldito seja o dia em que novas mordaças, tão antigas nos seus propósitos, se transformem no alinhavo de interesses pessoais, disfarçados sob o manto da legitimidade institucional.

Os trabalhos discutidos no CeiED, apesar de incidirem sobre temas distintos — da educação inclusiva à saúde mental dos estudantes migrantes, da formação humanista aos desafios da avaliação da investigação, passando pela educação artística e pela formação de professores — todos convergem numa ideia essencial: a qualidade do ensino superior mede-se pela sua capacidade de acolher a diferença, produzir conhecimento socialmente relevante e formar pessoas, e não apenas profissionais.

A diversidade deixou de ser um desafio periférico para se afirmar como uma condição da própria excelência académica. Diversidade de estudantes, de percursos, de saberes e de formas de conhecer o mundo. É precisamente essa pluralidade que enriquece a investigação, fortalece a inovação e aproxima a universidade da sociedade que pretende servir. Ao mesmo tempo, estes estudos, apresentados por jovens investigadores, recordam-nos que a inclusão não se esgota na legislação nem em boas intenções. Exige recursos, cooperação entre profissionais, culturas institucionais abertas e uma atenção permanente ao bem-estar de quem aprende e de quem ensina. A saúde mental, a justiça curricular e a valorização de diferentes epistemologias são hoje dimensões indissociáveis de uma universidade de qualidade.

Também a investigação enfrenta novos desafios. Os modelos de avaliação e financiamento não podem conduzir à uniformização do conhecimento nem desvalorizar áreas fundamentais para compreender e transformar a realidade, como as Ciências Sociais e as Artes. A inovação científica deve caminhar lado a lado com a liberdade académica, a diversidade epistemológica e a responsabilidade ética.

No fundo, todos estes trabalhos apontam para a mesma direção: um ensino superior mais humano, mais inclusivo e mais comprometido com o desenvolvimento das pessoas e da sociedade. Nada disto se pode fazer sem o debate, o diálogo e o compromisso. Acima de tudo, sem o respeito pelo outro. Este grupo de investigadores acaba o seu ano académico como começou: para que serve a ciência e a Filosofia?

Este é o tempo de reconhecer o trabalho realizado por docentes, investigadores, estudantes e técnicos. Mas é também tempo de renovar a esperança. Porque cada ano que termina abre espaço a um novo ciclo de reflexão sobre a aprendizagem e o ensino, investigação e cooperação. Que o próximo ano letivo nos encontre com vontade de construir uma universidade mais justa, mais plural e mais humana, onde o conhecimento continue a ser um instrumento de transformação e de futuro. No fim, recomeça a esperança. Boas férias.