Dez países europeus criam Coligação Antimíssil Balístico
Dez países europeus anunciaram, esta segunda-feira, a criação da Coligação Antimíssil Balístico, uma aliança concebida como uma iniciativa "puramente defensiva" destinada a promover uma arquitetura integrada de defesa antimíssil para a Europa.
Numa declaração conjunta, os chefes de Estado e de Governo dos dez países sublinharam que o aumento das ameaças de mísseis balísticos exige uma resposta coletiva assente na cooperação industrial, na inovação tecnológica e no desenvolvimento conjunto de capacidades.
A futura arquitetura vai complementar os sistemas de defesa antimíssil já existentes, incluindo os sistemas europeus adquiridos ou que venham a ser incorporados pelos Estados participantes: Alemanha, Dinamarca, Espanha, França, Itália, Noruega, Países Baixos, Reino Unido, Suécia e Ucrânia.
Trata-se de um domínio em que a Ucrânia "continua a enfrentar graves carências perante os ataques aéreos da Rússia".
"Ao reunir a nossa base industrial de defesa, a nossa investigação e a nossa experiência operacional, o nosso objetivo é construir uma capacidade partilhada de defesa contra mísseis balísticos para a Europa", afirmaram no comunicado, no qual é sublinhado que a iniciativa não é dirigida contra nenhum povo.
"Destina-se à defesa do nosso" povo, acrescentaram na mesma nota, assinada também pelo Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
Zelensky deslocou-se a Paris para solicitar aos líderes de cerca de duas dezenas de países europeus apoio ao desenvolvimento de medidas de defesa contra os mísseis balísticos russos, que têm atingido repetidamente a Ucrânia.
Os países europeus manifestaram também preocupação com as ambições de Moscovo no restante continente.
O Presidente ucraniano e os líderes de Alemanha, Dinamarca, Espanha, França, Itália, Noruega, Países Baixos, Reino Unido e Suécia afirmaram reconhecer "a crescente ameaça representada pelos mísseis balísticos", mais difíceis de intercetar do que mísseis de cruzeiro ou drones.
"Consideramos que a proteção da Europa exige uma solução abrangente, sob a forma de uma arquitetura integrada de defesa antimíssil, capaz de dissuadir e neutralizar futuras ameaças de mísseis", de acordo com a declaração.
"Reconhecemos a experiência única da Ucrânia, adquirida na defesa contra a guerra de agressão lançada pela Rússia", referiu.
A declaração não estabelece um calendário para a criação deste sistema de defesa, iniciativa que permanece aberta à adesão de outros países.