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Madeira

“A sidra da Madeira tem potencial para conquistar mercados internacionais”

Produtor destaca FNA como montra decisiva para afirmar produto regional

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A sidra da Madeira está a ganhar expressão no mercado nacional e internacional, com produtores a apontarem a Feira Nacional de Agricultura (FNA), em Santarém, como uma plataforma decisiva para reforçar a visibilidade e o posicionamento deste produto de origem regional.

A convicção é de Márcio Nóbrega, empresário da Quinta da Moscadinha e produtor presente no balcão da Sidra da Madeira IGP, integrado no stand da Região.

No contexto da participação na feira, o produtor sublinhou a importância do certame como ponto de contacto com novos públicos e potenciais mercados.

“A Feira Nacional de Agricultura é a melhor montra para mostrarmos a qualidade da sidra da Madeira e o trabalho que está a ser feito pelos produtores”, afirmou.

O empresário defende que a participação em eventos desta dimensão é essencial para consolidar o reconhecimento do produto fora da Região, num momento em que o sector procura escalar produção e visibilidade.

A Madeira dispõe de uma base agrícola diversificada, com cerca de 135 variedades de maçã, o que permite produzir sidras artesanais com características diferenciadas. Para Márcio Nóbrega, este é um dos principais factores de valorização do produto.

“Temos condições únicas para produzir uma sidra de grande qualidade, comparável aos melhores exemplos internacionais”, referiu.

O reconhecimento do sector já ultrapassou fronteiras, com várias distinções obtidas em concursos internacionais. Nos últimos cinco anos, as sidras madeirenses arrecadaram 24 medalhas em campeonatos mundiais, um sinal, segundo o produtor, da evolução qualitativa do produto.

A internacionalização é já uma realidade em crescimento. Existem exportações para mercados como Espanha e Holanda, enquanto a procura por parte de turistas britânicos e alemães tem vindo a aumentar de forma consistente.

“Já estamos a exportar e há interesse crescente em vários mercados. O potencial de crescimento é claro”, sublinhou.

O consumo de sidra acompanha também uma tendência global de mudança de hábitos, com maior procura por bebidas de menor teor alcoólico.

“O consumo tem crescido cerca de 20% ao ano nos últimos quatro anos, o que mostra que há espaço para este produto no mercado”, referiu.

Para o produtor, um dos desafios passa por reforçar a diferenciação entre a sidra artesanal e os produtos industrializados, valorizando o carácter gastronómico da produção madeirense.

“A sidra deve ser vista como um produto de qualidade, presente em restaurantes, harmonizações e eventos de referência”, defendeu.

A presença na FNA tem permitido também contactos com chefs e operadores do sector da restauração, reforçando a integração da sidra em contextos gastronómicos de maior exigência.

Os sinais de mercado são, segundo Márcio Nóbrega, positivos. Recentemente, terão sido vendidas cerca de 1.400 garrafas na semana que a Madeira acolheu as estrelas Michelin, o que demonstra a receptividade do produto fora da Região.

“A estratégia está a resultar. Agora é continuar a crescer, aumentar a produção e manter a qualidade”, concluiu.