Instalação artística de Vera Andrade promove sensibilização sobre lixo urbano e protecção dos oceanos
No âmbito da Semana do Ambiente, presentemente a decorrer, foi hoje apresentada a instalação artística da autoria da arquitecta e ceramista Vera Andrade. A obra propõe uma narrativa visual disruptiva que pretende consciencializar os cidadãos para uma realidade tantas vezes esquecida: o impacto directo do lixo urbano que é deitado nas sarjetas e que acaba, inevitavelmente, no mar.
No local, o presidente da CMF, Jorge Carvalho, deu nota de que a autarquia teve, ao longo desta semana, um conjunto de iniciativas para sensibilizar e consciencializar a população para as questões ambientais.
Segundo nota à imprensa, esta iniciativa reflecte a visão estratégica da Câmara Municipal do Funchal na abordagem à sensibilização ambiental, apostando em formatos inovadores e harmoniosos que prendam a atenção do público de forma esteticamente marcante. Longe dos moldes tradicionais, esta aposta resulta de um trabalho cuidado e multidisciplinar entre diferentes departamentos do município, desenhado para sensibilizar quer os funchalenses no seu quotidiano, quer todos aqueles que visitam a cidade.
Inspirada na campanha internacional 'O Mar Começa Aqui', a instalação artística procura dar visibilidade à ligação invisível entre o ecossistema urbano e o oceano. A intenção da autarquia é despertar a responsabilidade individual através da arte, alertando, numa das zonas mais frequentadas da cidade, os transeuntes de que cada resíduo deitado no chão da cidade inicia um percurso poluidor através das redes de drenagem até desaguar no ecossistema marinho.
Do ponto de vista conceptual, a artista transformou uma sarjeta comum do espaço público num ponto de paragem e reflexão. A intervenção estabelece um diálogo estético assente em três elementos fundamentais: os paralelos cerâmicos (que substituem alguns dos tradicionais paralelos de basalto do pavimento), a própria sarjeta (enquanto ponto de ligação ao sistema de drenagem) e várias gotas suspensas, que representam simbolicamente o fluxo da água a caminho do oceano.
A escolha dos materiais foi intencional. A utilização da cerâmica, matéria umbilicalmente ligada à terra e à tradição artesanal, contrasta visualmente com a textura do vidro e com a fluidez associada à água, criando um choque visual harmonioso, mas desconcertante, entre o betão do espaço urbano e a pureza do ambiente natural.
A assinatura da obra pertence a Vera Andrade, um nome de referência no panorama artístico regional e nacional. Arquiteta e ceramista com atividade artística consolidada desde 1996, Vera Andrade conta no seu currículo com o 1.º Prémio Nacional do Artesanato (2017), na categoria de Inovação, bem como o 1.º Prémio do Artesanato da Madeira na categoria contemporânea.
A artista desenvolve actualmente investigação no Mestrado em Arte e Ciência do Vidro e da Cerâmica, focando o seu trabalho precisamente na exploração e no diálogo entre os materiais, o território e o espaço público - premissas que agora ganham vida no coração do Funchal para defender o património marítimo da região.
A Semana do Ambiente termina amanhã com duas iniciativas: uma actividade, com início, às 09h30, com os escuteiros, com arranque no Jardim Municipal e que visa a colocação de placas informativas nas sarjetas, seguindo-se, na parte da tarde, no Fórum Madeira, pelas 15:30 uma outra actividade ligada à causa animal.