CABemos todos no CAB Madeira sem exceções
A História do CAB é muito maior do que o seu sucesso desportivo
Antes, uma nota: para quem, como eu, é sócio do Marítimo e do CAB - e somos muitos -, o verão de 2023 foi duplamente difícil, com ambas as equipas seniores masculinas a descerem de divisão. Foi, por isso, com redobrado ânimo que agora também celebrámos a dobrar o regresso ao topo do desporto português: natural, mas árduo e com mérito de quem tomou as decisões que nos trouxeram de volta.
Mas a História do CAB Madeira é maior do que o sucesso das suas equipas seniores, marcado por vários títulos nacionais e participações europeias. E também é maior do que o sucesso das suas equipas de formação, repleto de títulos regionais e nacionais, alimentados por gerações de atletas que alcançaram o estatuto de estrelas nacionais. Os casos do atual presidente do CAB, o Francisco Fernandes, e do nosso treinador, o Mário Fernandes, no masculino, ou os da Marcy Gonçalves e da Maria João Bettencourt, agora campeãs pelo Benfica, são alguns entre dezenas de casos com a mesma marca de nascença desportiva: o CAB. Antes e depois, vieram e virão outros, fontes de inspiração para sucessivas gerações de basquetebolistas da Região, que somarão vitórias, coletivas e individuais, dentro e fora de campo.
Tudo isso é importante - mas a História do CAB é muito maior do que o seu sucesso desportivo. Fundado a 30 de novembro de 1979, o CAB inaugurou o seu Pavilhão no dia 25 de abril de 1997. Isso mesmo: no dia 25 de abril, na Madeira. O CAB cresceu aos ombros das ideias e do trabalho de Francisco Fernandes, Sidónio Fernandes e Mário Gil Fernandes, entre outros. Destaco-os porque a história político-partidária dos dois primeiros presidentes é bem conhecida de todos e o seu contributo social também, a quem somo o Mário Gil, líder dos nossos maiores sucessos desportivos masculinos - todos sempre bem acompanhados por muitos homens e mulheres que deram e continuam a dar muito ao Clube, entre fundadores, sócios de primeira hora, dirigentes, funcionários, treinadores e atletas. Não cometo a injustiça de esquecer ninguém: a lista de citações seria extensa. E a prova de que neste CAB, livre e grande, cabemos todos é que, depois disso, um agora deputado do CHEGA foi seu presidente e um socialista de todas as horas é presidente da Assembleia Geral. E é assim porque, naquelas quatro paredes, onde cabem três campos, cabem todos aqueles que querem aprender a jogar basquete e, mais importante ainda, encontram no desporto coletivo uma escola que nos dá ferramentas que carregamos a vida inteira. Tive a sorte de crescer no Bairro da Nazaré, a menos de cinco minutos a pé do Pavilhão onde encontrei sonhos, objetivos, dedicação, vitórias, derrotas, sangue, suor, lágrimas e duzentas flexões quase disciplinadoras.
O caminho de sucesso que o CAB trilhou para regressar à Liga foi de persistência numa ideia de projeto desportivo, assente em jovens atletas, liderados por um jovem treinador, escolhido por um jovem presidente. Um projeto desportivo que se conjugou com o rigor financeiro necessário para pagar contas e manter portas abertas. O mérito é mesmo todo deles: da sua ideia, da crença que tiveram nela e na capacidade de trabalho para a implementar. Agora, o CAB precisa da ajuda de todos. Precisa e merece. O Pavilhão do CAB nasceu do esforço de quem liderou o Clube no passado e beneficiou da visão de quem reconheceu o potencial de inserir um Clube assim no maior bairro social da Região, fazendo a diferença na vida de tantas crianças, de várias gerações. Com mais recursos, o CAB poderá fazer ainda mais e melhor pela nossa gente, um sonho antigo que partilho com quem também saltou dos campos da rua para os do Pavilhão. As atuais condições desta infraestrutura condicionam a segurança dos mais jovens e a competitividade dos mais velhos. O Governo Regional sabe-o, a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia também. Como vereador, não consegui desbloquear o problema. Mas, porque no CAB cabemos todos e queremos que caibam ainda mais, o apelo público que aqui deixo é para que não se continue a adiar o inadiável, sob pena de tornarmos inevitável aquilo que ainda pode ser evitado, e se avance com a solução de que o Pavilhão precisa: obras urgentes, em prol das estrelas de amanhã - do basquetebol e da sociedade.
Parabéns ao CAB pelo regresso ao seu lugar. Obrigado a quem o tornou de novo possível. Somos várias gerações em festa, aqui e além. Haverá História mais bonita do que a deste Clube de Amigos? Duvido.