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CGTP sublinha milhares em manifestações pacificas por todo o país

O secretário-geral da CGTP-IN, Tiago Oliveira. 
O secretário-geral da CGTP-IN, Tiago Oliveira. , Foto MIGUEL A. LOPES/LUSA

O secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, destacou hoje os milhares de trabalhadores presentes nas manifestações da confederação sindical em todo o país e apontou que os distúrbios ocorridos em Lisboa foram causados por grupos que se infiltraram no protesto.

Tiago Oliveira referiu, em entrevista à RTP hoje à noite, que a confederação sindical organizou em todos os distritos manifestações que "decorreram pacificamente", lembrando que o mote da CGTP na greve geral que decorre hoje era "passar a mensagem concreta do que são as reivindicações dos trabalhadores".

Sobre os distúrbios ocorridos hoje em Lisboa, que envolveram confrontos entre manifestantes e a polícia, o secretário-geral da CGTP frisou que estes momentos "desviam o cerne da questão do que são os objetivos da ação".

Tiago Oliveira salientou que nenhum elemento do sindicato esteve envolvido nos confrontos, referindo que "há grupos que se integram nas manifestações da CGTP para levar adiante este tipo de situações".

O líder sindical frisou, no entanto, que "o que está a acontecer é revelador das insuficiências e das faltas de respostas a problemas concretos" por parte do Governo.

Questionado sobre o timing da marcação da greve geral, Tiago Oliveira lembrou que a CGTP não controla a agenda, ao contrário do Governo.

"Não controlando a agenda, o pior que podíamos fazer era permitir que o tempo decorresse e depois de estar concretizado ir a correr atrás do prejuízo", destacou.

Tiago Oliveira referiu que o Governo entregou na semana passada na Assembleia da República o pacote laboral para discussão, deu início na terça-feira à discussão pública e agendou para dia 18 discussões no Parlamento.

"Posto isto, confirmou a razão da greve geral, tínhamos que criar um momento especifico para permitir que os trabalhadores tivessem este momento para se pronunciarem sobre o pacote laboral", frisou.

O secretário-geral da CGTP apontou ainda que além da confederação sindical a sociedade em geral rejeita o pacote laboral.

"O que estamos a assistir é um Governo que está com postura de prepotência, de arrogância, de falta de humildade, que se nega a ouvir a visão dos trabalhadores e que tem uma agenda própria", concluiu.

O ministro da Presidência afirmou hoje que o dia de greve geral foi de "trabalho para a esmagadora maioria de portugueses" e condenou "comportamentos inaceitáveis de alguns" na manifestação junto ao Parlamento, distinguindo-os da organização.

No final da reunião semanal do Conselho de Ministros, António sublinhou que "o Governo respeita integralmente o direito à greve e também o direito a trabalhar de todos aqueles que trabalharam", lamentando incidentes na manifestação junto à Assembleia da República.

Pelo menos seis pessoas foram detidas hoje à tarde junto ao parlamento, em Lisboa, no final da manifestação da CGTP, após confrontos com a PSP, estando indiciados por desobediência e resistência e coação sobre funcionário, segundo a polícia.

O responsável pelo Comando Metropolitano de Lisboa (Cometlis) da PSP, superintendente Resende da Silva, disse aos jornalistas, junto à Assembleia da República, que os detidos estavam, cerca das 20:00, a ser identificados e posteriormente serão ouvidos em primeiro interrogatório judicial, para aplicação de medidas de coação.

A mesma fonte não especificou a idade dos detidos, uma vez que ainda estão a proceder à sua identificação.

Uma outra fonte policial admitiu à Lusa que os detidos possam incorrer ainda nos crimes de dano, devido aos fogos que atearam nos caixotes do lixo, bem como arremesso de garrafas de vidro e outros objetos contundentes contra os polícias, tendo alguns sofrido ferimentos ligeiros.