Greve geral com adesão de 76% entre os enfermeiros da Região, diz sindicato
Sindicato dá conta de cirurgias canceladas e consultas e exames que tiveram de ser adiados devido aos contrangimentos ditados pela paralisação de alguns serviços de saúde
A greve geral realizada esta quarta-feira registou uma adesão de cerca de 76% entre os enfermeiros do Serviço Regional de Saúde da Madeira, segundo avançou o presidente do Sindicato dos Enfermeiros da Região Autónoma da Madeira (SERAM), Juan Carvalho.
De acordo com o dirigente sindical, a paralisação teve impactos significativos em vários serviços de saúde da Região, com destaque para o Hospital Dr. Nélio Mendonça, onde, segundo aponta, toda a cirurgia programada foi suspensa, mantendo-se ai serviço do Bloco Operatório apenas duas equipas destinadas a assegurar situações urgentes e inadiáveis, nomeadamente na área da cirurgia oncológica e da urgência geral.
De acordo com o sindicalista, também a consulta externa funcionou nos "mínimos", o que obrigou ao adiamento de exames, de tratamentos de enfermagem e de consultas que terão agora de ser reprogramados.
Nos hospitais dos Marmeleiros e Dr. João de Almada, a adesão à greve ultrapassou os 85%, chegando mesmo aos 96% em alguns períodos do dia. Segundo Juan Carvalho, a maioria dos serviços funcionou apenas com o número mínimo de profissionais necessário para garantir os cuidados essenciais aos doentes internados (dois enfermeiros por serviço).
Já nos cuidados de saúde primários, vários centros de saúde registaram ausência total de enfermeiros, notou o presidente do SERAM. O Centro de Saúde do Monte, no Funchal, foi um dos exemplos apontados pelo sindicato, que refere ainda constrangimentos semelhantes em diversas unidades localizadas em algumas zonas rurais.
Para além das reivindicações nacionais relacionadas com as alterações à legislação laboral propostas pelo Governo da República, Juan Carvalho destacou problemas de âmbito regional que continuam por resolver. Entre eles, apontou a falta de atribuição dos pontos relativos ao biénio de avaliação 2023-2024, a carência de contratação de enfermeiros apesar da existência de uma reserva de recrutamento e o atraso na abertura de concursos para a categoria de enfermeiro especialista.
O sindicalista considera que a forte adesão à greve demonstra o descontentamento da classe e representa um sinal claro de que os enfermeiros exigem respostas para problemas que, segundo afirma, se arrastam há vários anos sem solução.