Adesão à greve dos enfermeiros na Madeira ronda os 75% a 77%
A adesão dos enfermeiros à greve geral nacional que decorre na Região situa-se entre os 75% e os 77%, segundo avançou o presidente do Sindicato dos Enfermeiros da Madeira, Juan Carvalho.
De acordo com o dirigente sindical, em declarações à TSF-Madeira, a participação no protesto é transversal às diferentes unidades de saúde da Região, abrangendo tanto os cuidados de saúde primários como a área hospitalar.
"Podemos afirmar que a adesão é uniforme tanto nos cuidados de saúde primários como na área hospitalar", afirmou Juan Carvalho, acrescentando que os números recolhidos ao longo do dia apontam para uma adesão global entre os 75% e os 77%.
No Hospital Dr. João de Almada, a adesão rondava os 95%, enquanto nos Marmeleiros atingia cerca de 90%, segundo os dados apresentados pelo sindicato. Nos cuidados de saúde primários, houve unidades onde os enfermeiros não compareceram ao serviço, como aconteceu no Centro de Saúde do Monte.
O impacto da paralisação fez-se sentir também na actividade cirúrgica. Segundo Juan Carvalho, todas as cirurgias programadas foram canceladas, mantendo-se apenas uma equipa destinada à cirurgia hemato-oncológica e às situações de urgência. A consulta externa encontrava-se igualmente a funcionar com serviços mínimos.
O presidente do Sindicato dos Enfermeiros da Madeira considera que a forte adesão reflecte não apenas a participação na greve geral, mas também o descontentamento dos profissionais relativamente a processos que continuam por resolver no Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira (SESARAM).
Entre as principais reivindicações apontadas está a falta de conclusão das avaliações de desempenho referentes aos anos de 2023 e 2024. "Não se entende como é que a avaliação de 2023 e 2024 ainda não tenha sido atribuída aos enfermeiros. Já estamos em Junho de 2026", afirmou.
Juan Carvalho criticou igualmente o atraso na definição do ciclo avaliativo de 2025 e 2026, bem como a não contratação de profissionais que integram a reserva de recrutamento, apesar das necessidades identificadas nos serviços.
Outra das questões levantadas pelo sindicato prende-se com a abertura de um procedimento concursal para a categoria de enfermeiro especialista. Segundo o dirigente sindical, essa intenção foi sido anunciada há cerca de dois anos, sem que tenha sido concretizada.
"Estas são matérias que os enfermeiros acompanham e que ajudam a explicar as razões desta luta, perante um conjunto de reivindicações que se arrasta há vários anos sem resolução à vista", concluiu.