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Restringido acesso a La Guaira e população queixa-se de falta socorros

La Guaira, Venezuela
La Guaira, Venezuela, foto Ronald Pena R

As autoridades venezuelanas estão a impedir o acesso de pessoas e voluntários ao estado de La Guaira, região mais afetada pelos sismos que abalaram a Venezuela na quarta-feira e onde reside um importante número de portugueses.

As restrições no acesso tiveram lugar a partir das 20:00 horas locais de sexta-feira (01:00 hora de hoje em Lisboa), após as autoridades terem apelado à população para evitar ir até aquela região até onde milhares de motociclistas se deslocaram nos últimos dias, levando principalmente água potável e alimentos não perecíveis.

As restrições estão a causar incomodidade na população, que tem usado as redes sociais para divulgar vídeos gravados junto de edifícios que ruíram, queixando-se de que quase três dias depois as equipas de busca e salvamento ainda não chegaram até onde se encontram e apelando ao envio de maquinarias para remover os escombros, dos quais, dizem, ouvem pessoas a falar e a pedir ajuda.

“Estamos a ouvir vozes, há pessoas com vida. A ajuda é demasiado lenta, já vão 3 dias”, explica Maria Carolina Fuenmayor desde os restos do edifício Residências El Palmar onde tinha um apartamento.

Também através das redes sociais estão a ser divulgada imagens de operações de resgate realizadas pela própria população, que tem com as próprias mãos removido alguns escombros e conseguido recuperar pessoas com vida.

Alguns vídeos estão a servir para identificar pessoas afetadas, resgatadas, e os lugares onde estão a ser atendidas ou para onde vão ser remetidas.

Organizações locais, como o Laboratório de Paz (LP), têm emitido comunicados recordando às autoridades que “nenhuma resposta cidadã pode substituir as obrigações que correspondem ao Estado”.

“As normas internacionais em matéria de gestão de catástrofes, proteção civil e direitos humanos estabelecem que todas as pessoas têm direito a receber uma resposta oportuna, coordenada e eficaz quando enfrentam uma emergência desta natureza. O direito à vida, à integridade pessoal, à saúde, à habitação, ao acesso à informação e à assistência humanitária assumem uma importância ainda maior durante as primeiras horas após uma catástrofe”, explica o LP em um comunicado.

No documento, o LP explica ainda que em zonas de La Guaira como Los Corales, Caraballeda, Praia Caribe e Praia El Yaque, observou “edifícios desmoronados, habitações destruídas, estradas gravemente danificadas e enormes dificuldades para aceder a algumas comunidades”, condições que “não só aumentam o sofrimento das pessoas afetadas, como também dificultam os trabalhos de busca, salvamento e assistência”.

“Também pudemos constatar o empenho de inúmeros funcionários da Proteção Civil, dos Bombeiros, da Polícia Nacional, da Guarda Nacional e de outros organismos de intervenção. Muitos deles trabalham em turnos ininterruptos, tentando salvar vidas e prestar assistência às comunidades. Precisamente por respeito a esse esforço, é necessário salientar uma preocupação evidente: a resposta parece estar a decorrer com recursos claramente insuficientes para uma emergência desta magnitude”, sublinha.

Segundo o LP as operações de busca exigem iluminação especializada, maquinaria pesada, equipas de salvamento urbano, ferramentas de localização e capacidade logística suficiente para intervir de forma rápida e sustentada: “Cada hora que passa sem estes recursos reduz as possibilidades de encontrar sobreviventes e prolonga o sofrimento das famílias que aguardam notícias dos seus entes queridos”.

O LP diz ainda que em La Guaira continuam a enfrentar-se dificuldades nas comunicações e reclama a importância da prevenção e redução de riscos.

Refere que a redução do risco, o planeamento, o investimento na proteção civil, a resiliência das infraestruturas críticas e a cooperação internacional não devem ser entendidos como despesas extraordinárias, mas sim como obrigações permanentes para garantir os direitos humanos da população.

“Enquanto prosseguem os trabalhos de busca e salvamento, o principal dever de todas as instituições deve continuar a ser proteger a vida, garantir a assistência humanitária sem discriminação, assegurar o acesso a informação verificada e coordenar todos os recursos nacionais e internacionais disponíveis”, sublinha.

Ainda segundo o LP “numa emergência desta magnitude, os direitos humanos não se suspendem, pelo contrário, devem tornar-se o principal orientador da resposta do Estado e de toda a sociedade”.