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Sismo: o que fazer e como proteger-se?

Portugal, incluindo a Madeira, está exposto ao risco sísmico. Saiba como agir antes, durante e depois de um sismo e como reforçar a segurança da sua casa e da sua família.

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As primeiras informações conhecidas sobre as consequências devastadoras, pessoais e materiais, do violento sismo registado ao final da noite de ontem — hora da Madeira — na Venezuela, reavivam a atenção para um risco que, embora muitas vezes esquecido no quotidiano, está presente em várias regiões do mundo e também em Portugal.

O território nacional, incluindo a Região Autónoma da Madeira, não está livre da possibilidade de ocorrência de sismos. Portugal Continental encontra-se atravessado por zonas de risco sísmico relevante, com especial destaque para a área da Grande Lisboa e para o Algarve, enquanto os Açores constituem a região do país com maior actividade tectónica. A este cenário juntam-se riscos associados, como tsunamis, inundações costeiras e derrocadas, que podem surgir na sequência de um tremor de terra.

Perante este enquadramento, as autoridades de protecção civil sublinham a importância da preparação e do conhecimento das regras básicas de segurança. Durante um sismo, a recomendação central é simples e deve ser interiorizada: “baixar, proteger e aguardar”. Assim que o tremor começa, deve manter a calma e procurar abrigo imediato num local seguro, como debaixo de uma mesa robusta, junto a uma parede interior ou num canto da divisão. O objectivo é proteger-se de objectos que possam cair ou projectar-se com a vibração.

A protecção da cabeça e do pescoço com os braços é essencial, uma vez que a maioria dos ferimentos em sismos resulta da queda de objectos, vidros partidos ou estruturas interiores instáveis. Deve afastar-se de janelas, espelhos, candeeiros, estantes e móveis altos. Nunca deve utilizar elevadores, nem correr para as saídas, sobretudo em edifícios com vários pisos, onde as escadas podem tornar-se perigosas devido à afluência de pessoas.

Se estiver na rua, o risco não desaparece. Pelo contrário, deve afastar-se imediatamente de edifícios, fachadas, postes de electricidade, árvores e estruturas que possam colapsar. Em espaços abertos, o mais seguro é manter-se afastado de zonas de queda potencial de materiais. Se estiver a conduzir, deve parar o veículo em segurança, preferencialmente num local plano e afastado de pontes, túneis, muros ou cabos de alta tensão, permanecendo no interior do automóvel até o sismo terminar.

Terminada a fase mais intensa do tremor, inicia-se um período igualmente delicado. Podem ocorrer réplicas nos minutos, horas ou dias seguintes, pelo que a prudência deve manter-se. As autoridades recomendam a verificação imediata de feridos e a prestação de primeiros socorros sempre que possível. Em casa, deve cortar o gás, a electricidade e a água, desde que seja seguro fazê-lo, e evitar qualquer fonte de ignição, como fósforos ou isqueiros, devido ao risco de fugas de gás.

Se existirem sinais de danos estruturais graves, a habitação não deve ser reocupada. A evacuação deve ser feita de forma ordenada, utilizando sempre as escadas e levando consigo uma mochila de emergência com bens essenciais. Deve ainda evitar-se tocar em cabos eléctricos caídos ou objectos metálicos em contacto com corrente eléctrica, devido ao risco de choque.

Outro cuidado importante prende-se com o risco de tsunami em zonas costeiras. Sempre que exista alerta ou suspeita de sismo significativo, a recomendação é afastar-se imediatamente da orla marítima e procurar zonas mais elevadas. Nas ruas, deve evitar regressar a edifícios danificados até confirmação de segurança pelas autoridades.

A comunicação também deve ser gerida com prudência. O uso do telemóvel deve ser reservado para situações de emergência, como pedidos de socorro, incêndios ou fugas de gás, de forma a não sobrecarregar as redes e garantir que os meios de emergência conseguem operar.

A preparação prévia é um dos factores mais determinantes para reduzir riscos e minimizar danos. Em ambiente doméstico, recomenda-se a organização de espaços mais seguros, com corredores desobstruídos e objectos pesados bem fixados às paredes. Estantes, móveis altos, televisões e garrafas de gás devem ser devidamente estabilizados. Os objectos mais pesados devem ser colocados nas prateleiras inferiores, reduzindo o risco de queda.

Também é aconselhável definir antecipadamente locais seguros dentro de casa, como debaixo de mesas resistentes ou junto a paredes interiores, e garantir que todos os membros da família conhecem esses pontos. Do mesmo modo, deve ser definido um ponto de encontro exterior, caso a separação ocorra durante o sismo, permitindo a reunião segura de todos.

A preparação deve incluir ainda uma mochila de emergência, com água, alimentos não perecíveis, lanterna, rádio a pilhas, carregador portátil, medicamentos essenciais e cópias de documentos. É igualmente importante que todos saibam como desligar gás, electricidade e água em caso de emergência, bem como conhecer o número europeu de emergência 112, que deve ser utilizado apenas em situações graves.

No plano da protecção patrimonial, a DECO PROteste lembra que a cobertura de fenómenos sísmicos continua a ser uma das menos subscritas em Portugal, apesar de abranger danos causados por sismos, erupções vulcânicas e maremotos. O custo desta cobertura varia consoante o valor do imóvel, a localização e a idade da construção, sendo mais elevado em zonas de maior risco sísmico ou em edifícios mais antigos.

Em regra, as seguradoras aplicam uma franquia mínima que pode rondar os 5% do capital seguro. A correcta avaliação da habitação é essencial para garantir uma indemnização adequada em caso de sinistro. O capital seguro deve corresponder ao valor de reconstrução do imóvel — e não ao valor de mercado — e o do recheio ao valor de substituição em novo, assegurando que, em caso de perda, seja possível repor os bens essenciais.