DNOTICIAS.PT
Madeira

São João e identidade porto-santense no centro do discurso de Dorisa Drumond no Dia do Município

A deputada do movimento independente de cidadãos Uma Nova Esperança apelou à preservação das tradições e alertou para os desafios das novas gerações numa sessão que junta feriado municipal e festa popular.

Foto Gonçalo Maia
Foto Gonçalo Maia

No discurso do Dia do Município do Porto Santo, cuja sessão solene decorre esta terça-feira, a deputada do movimento independente UNE apontou ao emotivo e ao identitário. Dorisa Drumond, do Uma Nova Esperança (UNE), aproveitou a coincidência com o feriado de São João Batista para tecer um elogio às tradições da ilha e lançar um olhar prospetivo sobre os desafios que se avizinham.

"É para mim um enorme orgulho estar hoje aqui enquanto porto-santense e deputada", afirmou Dorisa Drumond, que se assumiu desde o início como "uma pessoa de tradições".

A maior parte do discurso foi uma evocação sentida das memórias associadas ao São João do Porto Santo, as barraquinhas espalhadas pela vila, o cheiro a sardinhas, as ruas engalanadas da Rua da Doca, as fogueiras, os ensaios nocturnos das marchas populares. "Quem não se recorda das barraquinhas espalhadas pela vila, do cheiro a sardinhas no beco do Barlavento? Quem não se lembra das ruas engalanadas da Rua da Doca?", evocou a deputada, num registo que arrancou reconhecimento do público presente.

Drumond destacou o caráter comunitário da festa, que envolvia "novos e velhos, homens, mulheres e crianças, todos empenhados, todos dedicados." Aproveitou também o momento para deixar um agradecimento a todos os que tornaram possível a edição deste ano: "Trabalhadores da Câmara Municipal ou não, dos serviços públicos ou privados, todos os que se envolveram nesta grandiosa festa de alegria e tradição."

As marchas populares mereceram especial destaque, sendo descritas como "uma forma viva de passar a cultura às novas gerações e de perpetuar a memória" de figuras e ofícios que marcaram a história da ilha, dos carreireiros às bordadeiras, dos aguadeiros à vida ligada ao mar.

A deputada aproveitou o momento para homenagear figuras que contribuíram para a construção da identidade porto-santense, entre elas o músico Luís Branco Pestana, "que nos deixou um enorme legado de letras e músicas de São João", o comendador José Lim Pestana enquanto presidente do Clube Esportivo Porto-Santense, e o historiador António Rodrigues. "Tantos, tantos outros que de uma forma mais ou menos pública deram o seu contributo para que entregassem a ilha às novas gerações para que continuem a cuidar desta que é a joia mais antiga de Portugal", sublinhou.

Na parte final do discurso, Dorisa Drumond virou-se para as gerações mais jovens, reconhecendo que "o futuro é ainda mais incerto" face à multiplicidade de desafios contemporâneos. A deputada enumerou as grandes frentes de preocupação: a transformação tecnológica e os riscos da inteligência artificial, citando inclusivamente a encíclica do Papa Leão XIV, as migrações e o crescimento do turismo e o seu impacto numa "pequena ilha", a habitação, a saúde, com a aguardada conclusão da nova Unidade Local de Saúde, e os desafios ambientais, das alterações climáticas ao tratamento de resíduos e às pragas que ameaçam o equilíbrio da Reserva da Biosfera.

"Os tempos mudam e a sustentabilidade torna-se de extrema importância para que se possa garantir que a qualidade de vida, a segurança e a paz que tanto caracterizam o Porto Santo se mantenham", concluiu Dorisa Drumond, apelando à transparência e responsabilidade na tomada de decisões como condição essencial para garantir um futuro digno às novas gerações.