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Madeira

Resposta em saúde mental na Região reforçada com 40 novas camas

Unidade Renascer, na Casa de Saúde São João de Deus, resulta de um investimento de quatro milhões, que contou com financiamento do PRR

Inauguração do novo espaço aconteceu no final da manhã desta terça-feira. 
Inauguração do novo espaço aconteceu no final da manhã desta terça-feira. , Fotos ML

O director reconheceu ainda que a obra sofreu um aumento de custos na ordem dos 500 mil euros, sobretudo devido ao encarecimento dos equipamentos e da construção.

A Casa de Saúde São João de Deus inaugurou, esta terça-feira, a Unidade Renascer, uma nova estrutura destinada aos cuidados continuados integrados em saúde mental, que representa um investimento de cerca de quatro milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

A nova unidade dispõe de 20 enfermarias, com um total de 40 camas, e está vocacionada para doentes de média e alta complexidade, reforçando a capacidade de resposta da Região na área da reabilitação em saúde mental.

“O objectivo é trabalhar a área da saúde mental numa área de média e alta complexidade, no âmbito dos cuidados continuados em saúde mental na Região Autónoma da Madeira", explicou o director da Casa de Saúde São João de Deus, Eduardo Lemos. O responsável destacou ainda que o edifício dispõe com "equipamentos técnicos muito qualificados" e incorpora soluções de elevada eficiência energética.

Apesar dos desafios associados à execução das obras financiadas pelo PRR, Eduardo Lemos considera que o planeamento antecipado foi determinante para cumprir os prazos.

“Houve um conjunto de factores que são transversais a todos os investimentos do PRR aqui na Madeira, nomeadamente o elevado volume de obras. Foi difícil, mas começámos todo o planeamento muito cedo e isso facilitou-nos os resultados finais, e hoje temos o gosto de inaugurar esta unidade”, afirmou.

Segundo o director, a Unidade Renascer, cuja concepção se inspira na floresta Laurissilva, surge numa altura em que a procura por respostas na área da saúde mental se mantém elevada, sobretudo devido aos problemas associados aos comportamentos aditivos e ao consumo de substâncias psicoactivas e álcool.

“Há realmente uma carga relativamente à doença mental, nomeadamente na questão dos comportamentos aditivos, no abuso de substâncias psicoactivas e, também, do álcool.  Não diria que estão a aumentar [os internamentos], mas há uma estabilidade um pouco acima aquele que é o número de internamentos [nos anos anteriores]”, referiu, notando o foco da nova unidade na reabilitação e reintegração social dos seus utentes.

Actualmente, a instituição acompanha cerca de 300 doentes internados nas diferentes valências de psiquiatria, número semelhante ao registado no ano passado. Eduardo Lemos garantiu, no entanto, que não existe lista de espera para internamento, uma vez que os doentes são referenciados pelo SESARAM e a gestão das admissões é feita em articulação com os serviços de saúde.

A nova unidade destina-se a doentes que, após uma fase de internamento agudo, necessitam de um período de reabilitação antes do regresso à comunidade.

“São doentes com doença mental que requerem internamento, tratamento e reabilitação. Trata-se de uma resposta intermédia entre o internamento de curta duração e o regresso à comunidade”, explicou.

O investimento total ascendeu a cerca de quatro milhões de euros, dos quais 3,2 milhões foram financiados através do PRR. Entretanto, o Governo Regional aprovou um reforço de 15% do financiamento inicialmente atribuído, medida que Eduardo Lemos considera “muito importante para a concretização do projecto”.

O director reconheceu ainda que a obra sofreu um aumento de custos na ordem dos 500 mil euros, sobretudo devido ao encarecimento dos equipamentos e da construção.

“Não diria que houve uma derrapagem. Houve um acréscimo de custos, essencialmente relacionado com os equipamentos e com a própria execução da obra”, concluiu.