"Os números falam por si", diz Micaela Freitas aos enfermeiros do SESARAM
Secretária regional de Saúde e Protecção Civil reconhece o direito à escusa de responsabilidade mas argumenta com a contratação de 114 enfermeiros no último ano e com a redução do número de horas extraordinárias para atalhar os problemas que afectar esta classe profissional
Micaela Freitas confirmou, esta manhã, na Casa de Saúde São João de Deus, no Trapiche, que o Serviço de Saúde da Região (SESARAM) recebeu, ontem, ao final do dia, por email, o pedido de escusa de 65 enfermeiros do Serviço de Medicina Intensiva do Hospital Dr. Nélio Mendonça.
A secretária regional de Saúde e Protecção Civil argumentou com a contratação de 114 novos profissionais no último ano e com o facto de a Madeira ter um rácio acima da OCDE.
"É preciso que se tenha muito claro que a Região tem o maior rácio de enfermeiros do País, superior à média da OCDE. Só entre 2025 e 2026 já contratámos 114 enfermeiros", afirmou Micaela Freitas, acrescentando que desde 2015 entraram cerca de 600 profissionais, tendo saído aproximadamente uma centena.
Marco Livramento , 23 Junho 2026 - 09:56
Relativamente à Unidade de Medicina Intensiva, a secretária regional de Saúde e Protecção Civil garantiu que actualmente existem mais enfermeiros do que no final de 2025 e que também se registou uma redução das horas extraordinárias realizadas neste serviço no ano corrente em relação ao ano passado.
“Os passos estão a ser dados, as condições para fazermos um bom trabalho estão reunidas”, sustentou, garantindo que “os madeirenses e porto-santenses têm o melhor sistema de saúde que se pode desejar e o melhor sistema de saúde do País”, afirmou a governante, apontando que “estão asseguradas as condições para que esses serviços sejam prestados com maior qualidade”, sustentou.
Sobre a escusa de responsabilidade, considerou tratar-se de “uma figura que os profissionais são livres de adoptar”, insistindo, contudo, que “os números falam por si”.
Enfermeiros da Medicina Intensiva pedem escusa de responsabilidade
OS 65 enfermeiros do Serviço de Medicina Intensiva do Hospital Dr. Nélio Mendonça apresentaram esta segunda-feira à presidente do Conselho de Administração do SESARAM, EPERAM, um pedido de escusa de responsabilidade, alegando carências de recursos humanos, recurso excessivo a horas extraordinárias e falta de profissionais.
Também Miguel Albuquerque se apressou a defender, esta terça-feira, a gestão que está a ser feita do Serviço Regional de Saúde. O presidente do Governo Regional reafirmou que a Região continua a reforçar os recursos humanos na área da enfermagem e rejeitou a ideia de que exista falta de profissionais.
Confrontado com o facto de alguns enfermeiros realizarem entre 700 e 800 horas extraordinárias por ano, Albuquerque atribuiu essa realidade à redução do horário semanal para 35 horas, medida que, segundo afirmou, reduziu em cerca de 20% a capacidade de resposta do sistema público de saúde.
“O sistema não é de borla. Os custos estão sempre a subir”, afirmou, lembrando que só as horas extraordinárias nas urgências representaram cerca de 10 milhões de euros no último ano. Defendeu, por isso, a necessidade de garantir a sustentabilidade financeira do Serviço Regional de Saúde, através do controlo da despesa, da eliminação de desperdícios e da continuação do investimento em tecnologia e na contratação de profissionais.
O presidente acrescentou ainda que o Governo continuará a contratar enfermeiros, incluindo especialistas, mas advertiu que esse processo será feito “com ponderação e bom senso”, de acordo com a disponibilidade financeira do sistema. “Compreendo as reivindicações dos funcionários, mas tenho de gerir um sistema que custa imenso dinheiro e que tem de ser sustentável do ponto de vista financeiro”, concluiu.