Batata-doce em alta num ano em que os preços agrícolas subiram 27,6%
Em sentido contrário, 2025 ficou marcado por quebras na produção de banana, nas capturas de cavala e chicharro, bem como no abate de suínos
A produção de batata-doce aumentou 40,8% na Madeira em 2025, os preços dos bens agrícolas no produtor dispararam 27,6% e a produção de ovos cresceu 19,5%, segundo as Estatísticas da Agricultura e Pesca divulgadas esta terça-feira pela Direcção Regional de Estatística da Madeira (DREM). Em sentido contrário, destacam-se as fortes quebras nas capturas de cavala (-59,4%) e chicharro (-48,1%), bem como a redução da produção de banana (-14,4%) e do abate de suínos (-15%).
Os dados revelam um ano marcado por comportamentos distintos entre os vários segmentos do sector primário regional. Na agricultura, a batata-doce registou o crescimento mais expressivo entre as principais culturas, alcançando 10.843 toneladas, mais 3.140 toneladas do que em 2024. Também a produção de batata aumentou 6,9%, atingindo 18.542 toneladas. Em contrapartida, a produção de cana-de-açúcar recuou 5,7%.
Nas culturas permanentes, a banana manteve-se como a principal produção agrícola da Região, mas registou uma quebra de 14,4%, fixando-se nas 21.992 toneladas. A produção de uva de castas 'vitis vinifera' também diminuiu 11,1%, para 2.874 toneladas. A banana comercializada acompanhou esta tendência, caindo igualmente 14,4%, para 20.945 toneladas.
Na produção animal, o principal destaque vai para a avicultura. A produção de ovos atingiu 38,7 milhões de unidades, mais 19,5% do que em 2024, enquanto o abate de frango diminuiu 2,9%, situando-se em cerca de 3,4 mil toneladas. Já o total de reses abatidas para consumo humano recuou 8,6%, penalizado sobretudo pela redução de 15% no abate de suínos e de 8,4% nos bovinos.
Mais atum e menos cavala e chicharro
Na pesca, as quantidades descarregadas nos portos da Região aumentaram 2,3%, totalizando cerca de 3,6 mil toneladas. Contudo, o valor obtido na primeira venda diminuiu 2,9%, para aproximadamente 16,2 milhões de euros, reflectindo a descida dos preços médios do pescado.
O crescimento das capturas foi impulsionado pelo atum e espécies similares, que registaram um aumento de 39,7%, alcançando 1.237 toneladas. Em contrapartida, verificaram-se quebras significativas na cavala (-59,4%) e no chicharro (-48,1%), associadas à suspensão temporária da actividade de cerco dirigida aos pequenos pelágicos. O peixe-espada-preto continuou a ser a espécie mais capturada, representando 61% do total descarregado.
Apesar da redução do preço médio do pescado em primeira venda, que caiu 4,9% para 4,59 euros por quilograma, a receita gerada pelo atum aumentou 33,9%, atingindo 4,7 milhões de euros. Já o peixe-espada-preto viu a sua receita diminuir 8,8%, para 10,4 milhões de euros.
A aquicultura manteve-se estável em termos produtivos, com a produção de dourada a crescer apenas 0,1%, para 1.363 toneladas. Ainda assim, o valor das vendas aumentou 7,1%, ultrapassando os 9,1 milhões de euros.
Sector representa perto de 158 milhões de euros
No plano económico, os dados provisórios das Contas Económicas da Agricultura mostram que o Valor Acrescentado Bruto (VAB) do ramo agrícola cresceu 7,6% em 2024, atingindo 77,3 milhões de euros. A produção agrícola regional aumentou 3,2%, para 157,7 milhões de euros, enquanto o consumo intermédio recuou 0,7%.
Preços dos bens agrícolas subiram 27,6% num ano
A evolução dos preços foi outro dos aspectos mais marcantes do ano. O índice de preços dos bens agrícolas no produtor subiu 27,6%, impulsionado sobretudo pela produção vegetal (+30%). Já os custos dos meios de produção registaram um aumento mais moderado, de 2,2%, embora os alimentos para animais tenham encarecido 14,2%.
A DREM destaca ainda que a agricultura biológica envolvia, em 2025, um total de 144 agricultores e uma área de 222,7 hectares, aos quais se juntavam 38 produtores em fase de conversão, abrangendo mais 31 hectares. Entretanto, a Madeira exportou 17 mil toneladas de banana, além de pequenas quantidades de mel de cana e próteas.