PS defende mercados locais para aumentar rendimentos dos produtores de cereja
A presidente do PS-Madeira, Célia Pessegueiro, defendeu hoje a criação de mercados locais onde os produtores possam vender directamente os seus produtos aos consumidores, reduzindo o papel dos intermediários e aumentando os lucros de quem trabalha a terra. A posição foi assumida durante uma visita à Festa da Cereja, que decorre na freguesia do Jardim da Serra.
Na ocasião, a líder socialista ouviu as preocupações dos produtores relativamente ao facto de grande parte do lucro das vendas de cereja regional ficar nas mãos de intermediários. "Os nossos agricultores têm dos rendimentos mais baixos do país, e, se em condições normais, a criação destes espaços de venda directa aos consumidores seria importante para valorizar os seus rendimentos, agora, com a conjuntura marcada pelo aumento do custo de vida, esta medida torna-se ainda mais premente", afirmou Célia Pessegueiro.
A presidente do PS-Madeira criticou também a falta de incentivo do Governo Regional à cultura da cerejeira, situação que, segundo disse, está a levar muitos produtores a abandonar esta actividade em favor de outras culturas, como a da anoneira. Uma tendência que se reflecte, segundo a dirigente socialista, numa festa da cereja que "quase não tem cerejas". "À medida que as cerejeiras vão morrendo, os produtores já não renovam os pomares, porque esta é uma produção muito trabalhosa, pouco rentável e que não é devidamente recompensada. Quem quer tirar ganho da terra tem apostado em culturas mais lucrativas", constatou.
Célia Pessegueiro manifestou ainda preocupação com os impactos das alterações climáticas na produção de cereja da Madeira, criticando o que classificou como falta de estratégia do Governo Regional para enfrentar uma realidade que considera previsível há muito tempo. Na sua opinião, o executivo madeirense negou durante demasiado tempo o problema das alterações climáticas e perdeu a oportunidade de trabalhar na mitigação dos seus efeitos. "Há muito tempo que já se deveria ter optado pela aposta em variedades de cerejeiras mais resistentes e práticas produtivas que melhor adaptem a produção às alterações climáticas", afirmou, apontando o dedo à inércia governativa.