TSD defendem que ganhos com IA devem contribuir para financiar Estado social
O secretário-geral dos Trabalhadores Social-Democratas (TSD), Pedro Roque, defendeu hoje que é urgente estudar mecanismos para que os ganhos das empresas com a Inteligência Artificial (IA) contribuam para financiar o Estado social
Pedro Roque falava no 43.º Congresso Nacional do PSD, no Velódromo Nacional de Sangalhos, em Anadia, no distrito de Aveiro, para apresentar uma moção temática dos TSD, intitulada "Justiça Social e Progresso -- A Força de Quem Trabalha".
Numa intervenção em que não se referiu à rejeição da proposta do Governo PSD/CDS-PP de revisão do Código do Trabalho no parlamento na sexta-feira, o secretário-geral dos TSD falou do impacto das novas tecnologias no mercado laboral" e afirmou que "a inovação não pode desmantelar direitos fundamentais" e que é preciso "assegurar a sustentabilidade da Segurança Social".
"A automatização reduz a massa salarial tradicional. É urgente estudar novos mecanismos contributivos que garantam que os ganhos de produtividade da IA também financiam o Estado social, e não apenas os acionistas dessas empresas", defendeu o deputado e secretário-geral da tendência sindical do PSD.
No início da sua intervenção, Pedro Roque elogiou a "liderança firme, dialogante e pragmática" do presidente do PSD e primeiro-ministro "perante um equilíbrio parlamentar ténue e uma oposição feroz e vigilante".
Segundo o secretário-geral dos TSD, Luís Montenegro "soube devolver a Portugal a sua estabilidade" e o PSD representa atualmente uma "posição de centro político" que "é madura, credível e focada no interesse nacional".
Sem abordar o tema das alterações à legislação laboral, Pedro Roque saudou "o esforço do Governo na pacificação de setores públicos fundamentais como a educação, a saúde ou a segurança entre outros".
"Contudo, deixamos um alerta: a valorização contínua do salário mínimo nacional é importante, mas não pode significar o esmagamento do salário médio. O achatamento das carreiras gera injustiça e desmotivação. Precisamos de valorizar as qualificações e o mérito dos trabalhadores", acrescentou.
O secretário-geral dos TSD argumentou que "não há empresas competitivas sem trabalhadores motivados e valorizados" e defendeu "o direito efetivo à desconexão para proteger a saúde mental e as famílias".
Por outro lado, pediu a "aplicação determinada da diretiva europeia que garante a igualdade remuneratória entre mulheres e homens" e declarou que os TSD são a favor de "regras claras de presunção de laboralidade" nas plataformas digitais e da "supervisão humana sobre os algoritmos".
Pedro Roque atribuiu à "matriz social-democrata" o dever de liderar a transição tecnológica em curso e garantir "um modelo tecnológico humanista onde a inovação serve a humanidade, e não o seu contrário".
"É ao PSD que cabe desenhar as políticas públicas que protejam a classe média trabalhadora, a espinha dorsal da nossa democracia. E os TSD continuam a ser o farol desta identidade no mundo do trabalho", sustentou.