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Portugal rejeita retirar competências à chefe da diplomacia da UE

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Foto EPA

O Governo português demarcou-se hoje da posição de França e da Alemanha para retirar competências à chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, rejeitando que a condução da política externa da União Europeia fique dependente "de um ou dois Estados-membros".

"O Chega vê com satisfação a notícia de que a França e a Alemanha se preparam para limitar consideravelmente as competências da alta representante da União Europeia (UE)) para os Negócios Estrangeiros. Parece evidente que à senhora [Kaja] Kallas faltam as características elementares do domínio dos temas e do bom senso diplomático nos tempos perigosos que vivemos", afirmou hoje o deputado Ricardo Dias, no debate parlamentar de preparação do Conselho Europeu de quinta e sexta-feira.

Para o Chega, a Europa "precisa mais do que nunca de profissionalismo e maturidade nas suas instituições" e "não pode continuar refém do diletantismo da senhora Kallas", cuja "inconcebível falta de tato diplomático enfraquece a diplomacia europeia".

O jornal Financial Times noticiou na semana passada, citando fontes diplomáticas, que Paris, Berlim e outras capitais estão a estudar opções para retirar poderes à chefe da diplomacia da UE e do Serviço Europeu para a Ação Externa (SEAE), que lidera, devolvendo-os à Comissão Europeia e aos Estados-membros.

Uma posição que "não tem acolhimento" do Governo português, disse hoje o primeiro-ministro, Luís Montenegro.

"A solução é alguns Estados reassumirem competências do ponto de vista da condução da política externa da União e, portanto, ficarmos mais dependentes da vontade de um Estado-membro, de dois Estados-Membros, (o que) não tem respaldo no espírito da construção Europeia", sustentou o chefe do Governo, rematando: "Eu tenho uma posição precisamente contrária".

Para Montenegro, "dizer que esta nação é mais importante do que aquela é exatamente o contrário daquilo que se deve fazer, porque a Europa vai aparecer, aos olhos do mundo, como uma Europa fraca, frágil".

O primeiro-ministro considerou "muito negativo" que "se multipliquem os fóruns de debate internacional com os mesmos agentes que fazem parte da União Europeia".

"Somos contra a formação de grupos, nomeadamente o chamado grupo dos 6", disse, referindo-se aos seis países mais populosos da UE - Alemanha, França, Itália, Espanha, Países Baixos e Polónia.

"Não serve os interesses da União, não serve os interesses de solidariedade, não serve os interesses de possibilitar níveis de desenvolvimento similares", comentou.