Polónia e Alemanha assinam acordo de defesa que prevê um comando partilhado no Báltico
Os ministros da Defesa da Alemanha e da Polónia ratificaram hoje em Varsóvia um acordo de cooperação militar que inclui a criação de um comando partilhado no mar Báltico e aprofunda a cooperação industrial e tecnológica.
Numa conferência de imprensa conjunta na capital polaca, os ministros anunciaram que o Comando do Grupo Operacional do Báltico, dedicado a supervisionar a segurança marítima nessa região, será rotativo em períodos de quatro anos.
Atualmente, o comando tem a base no porto alemão de Rostock (norte), mas, como explicou o ministro polaco, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, "a partir de 2028 estará em [no porto polaco de] Gdynia".
Já o ministro alemão, Boris Pistorius, sublinhou a importância estratégica desta aliança e assegurou que "em conjunto, seremos responsáveis pela proteção das infraestruturas críticas e das rotas marítimas" de todos os aliados ocidentais no mar Báltico.
Esta atualização do tratado, criado há 15 anos, abrange desde a cibersegurança até ao desenvolvimento conjunto de armamento avançado.
A partir de julho, soldados alemães deverão ajudar a Polónia a reforçar a fronteira com Kaliningrado, o enclave russo entre a Polónia e a Lituânia, no âmbito do projeto "Escudo do Leste".
O tratado acaba por ter um âmbito reduzido, muito devido às reticências históricas da direita polaca e ao risco de veto presidencial.
Os acordos bilaterais de defesa têm-se multiplicado na Europa desde a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia em 2022 e, sobretudo, num contexto de incerteza quanto ao futuro do envolvimento militar norte-americano.
Kosiniak-Kamysz salientou que, com o fortalecimento da aliança Varsóvia-Berlim, está a acrescentar "mais um tijolo à construção de uma nova arquitetura de segurança na Europa".
"Não há segurança sem a Polónia, não há segurança sem a Alemanha", afirmou o ministro polaco.
No âmbito industrial, ambos os responsáveis salientaram que o acordo quer promover a autonomia europeia na produção de armamento, e Kosiniak-Kamysz afirmou que as respetivas "cadeias de produção devem ser independentes", para o que é necessário "comprar e produzir mais na Europa".
Pistorius confirmou ainda novos avanços no sistema Taurus Neo, um novo modelo do míssil Taurus, para o qual convidou formalmente a Polónia a participar como parceira.
Numa referência às controvérsias desencadeadas pelas relações entre ambos os países no passado, o ministro polaco enviou uma mensagem de unidade política e assegurou que "para a Polónia, o inimigo está a leste, não a oeste".
"Somos aliados, somos parceiros e amigos", acrescentou Kosiniak-Kamysz.
Ambos os líderes recordaram os gestos de reconciliação histórica, como o do chanceler Willy Brandt em Varsóvia em 1970, que os alemães têm demonstrado para superar o trauma da Segunda Guerra Mundial.
Este encontro coincidiu com o 35.º aniversário do Tratado de Boa Vizinhança que a Polónia e a Alemanha assinaram em 1991.