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UE enfrenta dependência tecnológica da China e energética dos EUA, diz estudo

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A União Europeia (UE) enfrenta "dependência tecnológica da China" e crescente dependência energética dos Estados Unidos, num contexto em que as cadeias de abastecimento se tornaram instrumentos de competição geopolítica, adverte um estudo divulgado pelo Carnegie Europe.

O relatório, publicado na segunda-feira e da autoria do analista Sinan Ülgen, refere que a UE está presa num "duplo vínculo energia-tecnologia", caracterizado por uma "crescente dependência energética dos Estados Unidos, juntamente com uma dependência tecnológica da China".

Segundo o estudo, divulgado pelo grupo de reflexão com sede em Bruxelas, a transformação da ordem internacional e o aumento da rivalidade entre grandes potências fizeram com que as cadeias de abastecimento deixassem de ser apenas mecanismos económicos para se tornarem "uma arena central da competição geopolítica".

"A instrumentalização das cadeias de abastecimento para fins estratégicos anuncia um panorama comercial fragmentado em que as considerações de segurança nacional assumem cada vez mais prioridade sobre a eficiência económica", lê-se no documento.

A análise conclui que, embora 81% das importações da UE apresente baixo risco, as vulnerabilidades mais relevantes estão concentradas em setores considerados estratégicos, incluindo energia, eletrónica, componentes avançados e minerais críticos.

Entre os produtos classificados como de elevada dependência figuram petróleo bruto, gás natural, gás natural liquefeito (GNL), computadores, telemóveis, baterias de iões de lítio, microprocessadores e células fotovoltaicas.

No caso dos produtos de elevada dependência, a China representa 15,6% do valor total das importações europeias, enquanto os Estados Unidos contribuem com 6,2%, segundo o estudo.

A investigação destaca que a posição chinesa é particularmente forte nos setores da eletrónica e da maquinaria. Na eletrónica, a China responde por 22,6% das importações europeias consideradas críticas, mais do triplo da quota norte-americana.

O relatório refere ainda que a UE continua especialmente exposta à China no domínio das baterias para veículos elétricos e equipamentos eletrónicos.

"A UE permanece estrategicamente dependente da tecnologia chinesa e das importações chinesas de baterias de iões de lítio", assinala o documento.

Segundo o estudo, a produção europeia de baterias aumentou nos últimos anos, mas a cadeia de abastecimento continua dependente de propriedade intelectual, componentes críticos e células produzidas na China.

"Esta persistente dupla dependência da tecnologia chinesa e das importações chinesas cria uma vulnerabilidade estrutural para a UE", alerta o autor.

A análise conclui ainda que os riscos mais significativos para a Europa poderão não estar nos produtos já identificados como estratégicos, mas sim nos chamados produtos de "risco emergente", setores onde a concentração de fornecedores está a aumentar gradualmente.

"As vulnerabilidades mais graves podem resultar não dos bens já reconhecidos como de elevado risco, mas daqueles cujos perfis de risco continuam a tomar forma", refere o estudo.

Entre esses produtos encontram-se equipamentos de comunicações, motores elétricos, máquinas de processamento de dados, componentes aeronáuticos e maquinaria industrial.

O relatório defende que a resposta europeia não deve passar por uma redução generalizada da dependência externa, mas por uma estratégia de "redução seletiva de riscos", combinando diversificação de fornecedores, constituição de reservas estratégicas, apoio industrial e diplomacia económica.

"A verdadeira tarefa é a redução seletiva dos riscos: identificar os componentes cuja interrupção teria efeitos em cascata na economia europeia e tratá-los de forma diferente do universo mais amplo das importações comuns", aponta o documento.