Madeira deve afirmar-se mais na política europeia para os oceanos
Manuel Ara Oliveira, director regional do Ambiente e Mar, alerta para a ausência de Portugal em alguns encontros relacionados com o Pacto Europeu sobre os Oceanos, na chamada "diplomacia oceânica"
O director regional do Ambiente e Mar, Ara Oliveira, defende a necessidade de Portugal e da Madeira reforçarem a sua presença nos fóruns europeus ligados à política dos oceanos, alertando para a importância de afirmar os interesses nacionais e regionais num momento em que a União Europeia se centra no Pacto Europeu para os Oceanos.
No âmbito da XI Grande Conferência Economia do Mar, que decorre no Funchal hoje e amanhã, o responsável sublinhou que a Região tem vindo a consolidar o seu papel na gestão do espaço marítimo, mas considerou que existe margem para aprofundar a autonomia regional nesta matéria. "A Madeira é Portugal, mas também tem, não só pela proximidade, mas também pelo conhecimento, um papel determinante na gestão do mar", afirmou, acrescentando que a Região já tem vindo a "marcar território e a fazer caminho" nesta área.
Ara Oliveira destacou ainda o potencial económico associado à economia azul, apontando sectores como a aquacultura, os cabos submarinos de comunicações, a energia e a investigação científica como áreas estratégicas para o desenvolvimento da Região. O governante salientou, igualmente, a importância geopolítica da Madeira no Atlântico, defendendo que a sua localização deve ser mais valorizada no contexto europeu.
O director regional alertou, por outro lado, para a necessidade de captar mais financiamento comunitário para projectos ligados ao mar e de garantir uma participação mais activa de Portugal nos processos de decisão europeus. "Se nós não ocupamos o espaço, quer no pensamento, quer nas exigências, quer na procura de fundos, vamos perder literalmente o barco", advertiu, defendendo uma maior afirmação dos interesses portugueses e madeirenses nas políticas europeias para os oceanos.