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Lisboa e Oeiras coordenam laboratório europeu ligado ao mar que pode chegar às ilhas

O NEB Ocean Lab terá financiamento que, se for substancial, permitirá estender o trabalho aos Açores e à Madeira

Foto Shutterstock
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Lisboa e Oeiras vão coordenar o NEB Ocean Lab, um laboratório europeu que pretende desenvolver soluções e projetos sustentáveis ligados ao mar e rios, área em que Portugal já coordenou os primeiros projetos-piloto.

"Portugal foi o único país do Sul da Europa que coordenou um dos seis projetos farol da 'Bauhaus of the Seas' e vai coordenar o NEB Ocean LAB", disse à agência Lusa Nuno Jardim Nunes, coordenador do projeto no Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa.

O NEB Ocean LAB, que funcionará em vários países da Europa, está contemplado no 'Ocean Pact', a nova legislação europeia para proteção dos Oceanos, sendo que em Portugal "será coordenado por Lisboa e Oeiras", afirmou o coordenador que hoje participou, no Festival da Nova Bauhaus Europeia, onde está em exposição o projeto-piloto português "À flor do azulejo, a cor do Tejo".

Em causa está a criação de azulejos produzidos através de conchas de ostras e algas, um projeto desenvolvido pelo consórcio Bauhaus of the Seas Sails, coordenado pelo Instituto de Tecnologias Interativas do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, e que envolve 18 parceiros académicos de sete cidades da Europa: Oeiras e Lisboa (Portugal), Veneza e Génova (Itália), Hamburgo (Alemanha) Malmo (Suécia) e Roterdão e o delta dos rios Scheldt e Reno, na Holanda.

"O Ocean Lab não é um sítio físico fechado, é uma rede que se baseia muito no trabalho que nós desenvolvemos no Bauhaus of the Seas e que a Comissão Europeia reconheceu como fundamental" afirmou Nuno Jardim Nunes.

Apesar de ainda não estar definido o montante de financiamento para este laboratório, o responsável espera "que seja um financiamento substancial", o que, no caso português, permitirá estender o trabalho aos Açores e à Madeira.

"Temos duas regiões ultraperiféricas, temos uma costa enorme e é importante que Portugal possa liderar esta componente da Bauhaus dos oceanos", sustentou o coordenador do consórcio que nos últimos três anos tem desenvolvido projetos ligados a ecossistemas aquáticos.

No caso português, além do fabrico de azulejos a partir de conchas de ostras, há "alunos de doutoramento que estão a trabalhar com estes materiais, por exemplo, integrando tecnologia digital" e que poderá resultar, exemplificou, "no uso destes materiais para impressão 3D, sem ser preciso usar plástico".

"Este é um exemplo de aplicação prática destes materiais, está a ser feito com azulejo", mas, alertou, "é também preciso que a União Europeia compreenda que tem que acelerar os processos de certificação, que muitas vezes são a barreira principal à adoção destas novas ideias".

Nuno Jardim Nunes falava à Lusa durante a visita à exposição em que o projeto português foi um dos seis visitados pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen e pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, durante uma visita à feira em que participam 80 expositores de todos os Estados-Membros com projetos desenvolvidos no âmbito da Nova Bahaus Europeia, movimento que promove a investigação se soluções mais sustentáveis.

A feira é uma das vertentes do Festival da Nova Bauhaus Europeia, que decorre até sábado em Bruxelas, sob o lema "Vida. Espaços. Edifícios".

O festival, promovido pela Comissão Europeia, junta "criadores, inovadores e agentes de mudança" dos vários países da União Europeia (UE), para refletir sobre "como as comunidades podem trabalhar juntas para projetar casas e bairros mais sustentáveis, inclusivos e resilientes".