Manifestantes alertam sobre crise dos desaparecimentos no México
As autoridades mexicanas impediram na última noite uma marcha de manifestantes junto ao Estádio de Cidade do México, que exigiam respostas sobre o desaparecimento de milhares de pessoas.
Os manifestantes procuravam alertar sobre o desaparecimento de 133 mil pessoas, uma questão que marca há vários anos a sociedade mexicana.
No México, 133 mil pessoas encontram-se desaparecidas, segundo os dados do Registo Nacional de Pessoas Desaparecidas e Não Localizadas (RNPDNO), que monitoriza os desaparecimentos desde a década de 1950.
Em resposta, o Comité das Nações Unidas contra os Desaparecimentos Forçados (CED) procura levar a crise dos desaparecimentos no México à atenção da Assembleia Geral da ONU, considerando-os "crimes contra a humanidade".
A posição da ONU sobre os desaparecimentos supostamente ligados ao crime organizado tem sido reiteradamente rejeitada pelo Executivo mexicano.
Na última noite, os milhares de manifestantes foram impedidos pela polícia de se aproximarem do Estádio Cidade do México (Estádio Azteca), onde se realiza hoje a cerimónia de abertura do Mundial de Futebol.
Apesar da presença da polícia a marcha decorreu de forma pacífica sendo que milhares de pessoas se concentraram na avenida Tlalpan, no sul da captital mexicana.
"México, campeão dos desaparecimentos" e "Foram levados vivos, queremos que voltem vivos" foram algumas das palavras de ordem que foram usadas pelos manifestantes.
As famílias dos desaparecidos, oriundas de diferentes estados do país, transportavam objetos que faziam alusão ao Mundial de Futebol, como camisolas da seleção mexicana de futebol com os rostos dos desaparecidos.
"Queremos que o mundo saiba que temos muitas pessoas desaparecidas e que estão a ser investidos recursos em outras coisa enquanto os casos dos nossos familiares permanecem por resolver", disse à agência de notícias espanhola EFE Ana Lucía Gasca, mãe de Ricardo Arturo Lagunes Gasca, desaparecido desde 2023.
Depois de percorrerem várias ruas, as famílias encontraram uma barreira policial onde se encontrava o secretário do Governo da Cidade do México, César Cravioto, que tentou falar com os manifestantes.