"Mais mulheres na inovação, mais futuro na tecnologia"
Kathleen Figueiredo Laissy alerta para défice de diversidade na inovação
Kathleen Figueiredo Laissy alertou para o impacto estrutural da falta de diversidade nas equipas que desenvolvem tecnologia e tomam decisões estratégicas. “O futuro da inovação não será moldado apenas por engenheiros, mas também por quem financia, regula e define prioridades políticas”, disse.
Na sua intervenção na conferência ‘Women in Tech’, integrada nas ‘Conferências Inovação e Futuro’ promovidas pelo DIÁRIO, a presidente da Câmara de Comércio Belgo-Portuguesa — sendo a primeira mulher a assumir o cargo — defendeu que a tecnologia não pode ser entendida como neutra. “Os algoritmos não são neutros, a inteligência artificial não é neutra. A tecnologia reflecte sempre os valores e os enviesamentos de quem a constrói”, afirmou.
Desde Janeiro de 2023, representante do Governo Regional da Madeira junto das instituições europeias em Bruxelas, sublinhou que o debate sobre inovação vai muito além da igualdade de género.
A responsável destacou que, apesar dos progressos, as mulheres continuam sub-representadas nas áreas STEM – Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática - e no acesso a investimento em empreendedorismo tecnológico. “Não é apenas uma questão de igualdade, é também uma questão de competitividade e de crescimento económico”, referiu.
Sublinhou ainda a importância da representação feminina em posições de liderança, considerando que essa presença influencia percepções e expectativas das gerações mais novas.
Kathleen alertou também para o facto de as desigualdades começarem cedo, na educação e nas expectativas sociais. “As mensagens que recebemos na infância condicionam a confiança, a ambição e as escolhas de carreira”, afirmou, defendendo uma intervenção precoce na promoção das áreas tecnológicas junto das raparigas.
No final, defendeu que o desafio não passa apenas por integrar mulheres no sistema existente, mas por transformar a forma como a inovação e a liderança são construídas. “A verdadeira questão é: quem tem lugar à mesa para construir o futuro?”, concluiu.