Governo "não vai desistir" nem vai ficar refém de "intransigência e imobilismo"
O primeiro-ministro defendeu hoje que o executivo que lidera é "um Governo de concertação" que não vai desistir de tornar o país mais produtivo, assegurando que não vai "ficar refém da intransigência e do imobilismo".
Luís Montenegro falava no 52.º aniversário do PSD, que se assinala hoje, e na véspera de uma reunião decisiva da concertação social sobre legislação laboral.
"Sendo este também um Governo de concertação (...) é um Governo que, obviamente, não vai desistir. Obviamente vai continuar concentrado e focado em dar ao país mais instrumentos para o país ser produtivo e competitivo", afirmou.
Montenegro defendeu que esta é a atitude do Governo em áreas como a saúde -- antecipando que o Conselho de Ministros terá novas decisões nesta área --, mas também na reforma do Estado, na fiscalidade e no mercado laboral.
"Já demos muitas mostras de cedência, muitas mostras de transigência. O que não podemos é ficar reféns da intransigência ou ficar reféns do imobilismo. Para isso, vão contar com um PSD muito ativo, um PSD muito proativo e um PSD muito combativo", prometeu.
O primeiro-ministro vaticinou que o atual período governativo -- iniciado em 2024 -- "vai marcar tanto a história de Portugal como os grandes períodos governativos" dos 52 anos do PSD.
"E vai marcar porque foi isso que o povo português quis e é isso que o povo português quer", disse.
Em mais de meia hora de discurso, Montenegro deu o exemplo a sua curta visita de terça-feira a Alemanha para defender a imagem de Portugal no estrangeiro.
"Em Portugal não se tem a noção exata daquilo que os outros pensam de nós lá fora. Nós valemos muito mais de fora para dentro do que de dentro para dentro ou de dentro para fora. É talvez uma sina portuguesa, é talvez um destino português", lamentou.
O primeiro-ministro salientou que Portugal tem, atualmente, "uma situação económica e financeira melhor DO que a Alemanha" e disse ter falado "para quase dois mil empresários alemães", tendo sido "agraciado com o respeito espontâneo dessa plateia".
"Não tenho ainda forma de avaliar o efeito concreto, mas não me admiraria que jovens portugueses pudessem vir a ter oportunidades de emprego fruto da expressão daquela confiança", disse, antecipando também novos investimentos em Portugal.
"Eu não sei medir, mas sei dizer-vos, vai haver, está a haver, efeitos muito positivos da imagem que nós temos de Portugal espalhada pela Europa e espalhada pelo mundo", acrescentou.
Como exemplo já em curso, apontou a privatização da TAP, a que concorrem na fase final "as duas maiores companhias europeias de aviação", Lufthansa e Air France/KLM.
"Porque é que isto está a acontecer? A companhia é a mesma, o contexto estratégico que nós temos para esta privatização é o mesmo que existia há 10 ou há 15 anos atrás", disse, considerando que mudou o potencial de rentabilização deste investimento, numa aparente referência à privatização realizada no final do Governo PSD/CDS-PP liderada por Pedro Passos Coelho.