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Portas diz que política precisa de declaração de independência face a plataformas digitais

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Foto Arquivo

O antigo ministro Paulo Portas afirmou hoje que "a política precisa de uma declaração de independência em relação às plataformas digitais", remetendo para a necessidade de a politica de recuperar "sua forma de comunicar".

"Eu acho que a política precisa de uma declaração de independência em relação às plataformas digitais, tem que recuperar a sua autonomia e a sua forma de comunicar", referiu o antigo governante no primeiro dia do congresso da APDC (Digital Business Congress), que termina na quinta-feira no Fórum Tecnológico de Lisboa (LISPOLIS), sob o mote "A Europa na Era Digital - O Equilíbrio entre Soberania, Segurança e Inovação".

Portas reiterou que o sistema político, particularmente nos EUA, "está a permitir a constituição de uma oligarquia".

"Uma oligarquia poderosa e sem escrutínio, que não seja o escrutínio das bolsas, mas não chega em democracia", acrescentou.

O antigo jornalista do Independente referiu ainda que "todos os líderes tecnológicos, se analisados antropologicamente, eram democratas da raiz do cabelo até aos pés", e que mudaram de convicções numa onda "oportunista no sentido puramente objetivo (...) porque acharam que iam ter uma roda livre e um caminho absolutamente aberto, coisa que em vários aspetos se confirmou".

"Esta oligarquia tem imensa influência política que vai obrigar os tribunais americanos a rever uma posição tradicional sobre estas matérias", disse.

Paulo Portas crê também que "uma das razões pelas quais a inovação cresceu exponencialmente nos Estados Unidos era a sua imunidade legal", sendo que "as plataformas digitais nos Estados Unidos não são responsabilizáveis nem responsáveis pelos conteúdos publicados por terceiros".

O princípio americano, di-lo Portas, "é primeiro inovam, depois regulam", já o "princípio europeu é primeiro regulam, depois inovam".

"Eu acho que a verdade está algures a meio (...), é evidente que a Europa dificulta a inovação com excesso de regulação, mas também é evidente que os Estados Unidos vão ter imensos problemas por ausência total da regulação", acrescentou.