É um dos quadros do PSD que mais tempo esteve no Governo Regional e teve a seu cargo sectores como a Educação em que “estava tudo por fazer” ou os Recursos Humanos, pasta em que permaneceu quatro mandatos e protagonizou negociações laborais importantes.
Eduardo Brazão de Castro ainda não tinha 30 anos quando, em 1980, foi convidado por Alberto João Jardim para integrar o III Governo Regional, com a pasta da Educação e Cultura. Aceitou e acabaria por permanecer no Executivo nos 31 anos seguintes. Além da Educação, durante três mandatos, teve a seu cargo os Assuntos Parlamentares e Comunicação, entre 1992 e 1996 e os Recursos Humanos, até deixar o Governo Regional, em 2011.
No podcast Rostos da Autonomia (https://podcasts.dnoticias.pt/rostos-da-autonomia/) pode ver e ouvir uma entrevista em que relata o seu percurso no governo.
No 25 de Abril de 1974 estava no terceiro ano do curso de Direito, em Lisboa e foi a Revolução dos Cravos que fez com que não fosse incorporado para o serviço militar que já dava como certo. Estagiou como advogado, mas é nesse período que tem uma experiência no ensino, antes de integrar os quadros da Secretaria do Equipamento Social, como jurista, de onde sairia para assumir a pasta da Educação.
Educação em que estava tudo por fazer. “Essa expressão não é excessiva e eu uso expressões semelhantes. Isso é verdade, estava quase tudo por fazer em vários sentidos. Primeiro, em relação às infraestruturas, ao cimento que as pessoas às vezes criticam muito. O problema é que havia uma imensa falta de salas de aula e tínhamos de olhar, com todo o cuidado, para esse aspecto. Quando saí da pasta da Educação, em 1992, tinha sido possível, com a Autonomia, ter construído mais de 1.000 salas de aula. Construído ou recuperado”, lembra com orgulho.
Houve necessidade de fazer salas de aulas, mas “salas sem professores não valem nada ou valem muito pouco”.
Foi preciso formar docentes em todos os níveis de ensino.
"Em relação ao 1º ciclo do Ensino Básico, a nossa Escola do Magistério era dirigida pela dra. Lígia Teixeira e lembro-me de ter falado com ela sobre a necessidade de aumentar bastante o número de formandos em cada ano para que, num período relativamente curto, se suprisse a falta de profesores”.
Nos outros níveis de ensino foi mais difícil garantir professores.
“Quando entrei para a secretaria regional já estavam em funcionamento, nas instalações que hoje são dos Assuntos Culturais, as extensões da Universidade de Lisboa, só de Letras. As de Ciências já fui eu que fui buscar. Essas extensões serviam para formar os professores que nos faltavam. Tudo isso foi feito em articulação com a Universidade de Lisboa e devo tecer os maiores elogios à maneira como decorreu e a um reitor, o professor Virgílio Meira Soares que foi uma pessoa inexcedível na articulação connosco e também na altura em que se faz a transição da Universidade de Lisboa para a Universidade da Madeira”.
Quando sai da Educação, em 1992, garante que a grande maioria dos professores era portadora de habilitação própria e com habilitação mínima o número de professores era residual “e mesmo esses já estavam a fazer a sua formação”.
No governo saído das eleições de 1992 assume a recém-criada Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunicação. O Governo Regional era o proprietário do Jornal da Madeira, com o argumento de que deveria haver pluralismo na comunicação social e Brazão de Castro teve de gerir situações complicadas, quando estava em causa a concorrência com empresas privadas, como o DIÁRIO que apenas dependia das suas receitas.
“Essa pasta foi desafiante porque eu estava numa área muito afastada. Na altura o presidente do parlamento era o dr. José Miguel Mendonça e implicava reuniões frequentes, no sentido de acertar as matérias que eram discutidas na Assembleia e que tinham a ver com o Governo. Uma prática que começou nessa altura. Na comunicação social o que procurei foi que houvesse sempre condições para haver pluralismo e pareceu-me, sempre, que era indispensável para que isso acontecesse haver diversidade de órgãos de comunicação social”.
Quatro anos depois, assume aquela que seria a missão mais longa da sua governação; os Recursos Humanos.
“O que é suposto um sindicato fazer é defender os interesses dos seus associados. O que é suposto uma organização empresarial fazer é defender os empresários. Por isso, é plausível que haja alguma confrontação. E o governo? O Governo Regional tem um mandato diferente, tem que ver com a Madeira toda, com empresários e com trabalhadores. O Governo deve procurar encontrar o equilíbrio, juntar uns e outros, nunca se colar nem a um nem a outro e procurar seguir um caminho que seja de bom senso”.
Ficou conhecido pela expressão paz social que definia uma situação de menor conflito laboral.
“A paz social tem muito que ver com a justiça social. No Governo falávamos muito disso, o desenvolvimento da Madeira tinha de aproveitar a todos e essa riqueza que felizmente ia crescendo tinha de aproveitar, tanto aos empregadores que investem os seus capitais no sentido de desenvolverem as suas empresas, mas também é indispensável que os trabalhadores tenham a sua parte desse mesmo desenvolvimento. A paz social constrói-se com a justiça social”.
Em 2011, não é convidado para aquele que seria o último Governo de Alberto João Jardim.
Sai do Executivo mas continua a ter participação no partido, para onde entrou vindo da primeira estrutura da Juventude Social-Democrata e é um dos dirigentes de referência dos TSD.
Fez o curso de Auditor de Defesa, do Instituto de Defesa Nacional e desde então é essa a sua área de interessa. A estratégia, os cenários internacionais e as questões de Defesa são temas de que fala com gosto.
Há alguns anos foi convidado a integrar a Sociedade de Geografia de Lisboa onde é director da secção de Ciências Militares.
Tem uma escola com o seu nome, no Funchal.