EUA atacam navio que tentava romper bloqueio aos portos iranianos
As forças norte-americanas atacaram um navio que tentava romper o bloqueio imposto pelos Estados Unidos (EUA) aos portos iranianos, perto do Estreito de Ormuz, anunciou hoje o Centcom, que coordena as operações militares dos EUA no Médio Oriente.
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) referiu, citado pela agência EFE, que identificou o navio M/V Lian Star a navegar em águas internacionais, "em direção a um porto iraniano no Golfo de Omã" e emitiu "mais de 20 avisos, informando simultaneamente o navio de que estava a infringir o bloqueio dos EUA".
Os avisos foram ignorados, tendo uma aeronave das forças norte-americanas disparado contra a sala de máquinas do barco, deixando-o "inutilizado".
"O barco deixou de navegar em direção ao Irão", segundo o Centcom.
De acordo com o comando, o navio navegava sob bandeira da Gâmbia, país que tem um registo marítimo aberto, algo que permite que os navios sejam registados sem estarem diretamente ligados ao país.
O Centcom lembrou que as forças dos EUA já imobilizaram cinco navios comerciais e desviaram 116 para fazer cumprir o bloqueio imposto ao Irão.
O presidente norte-americano, Donald Trump, impôs um bloqueio aos portos iranianos em abril, face à recusa do Irão em reabrir o Estreito de Ormuz, encerrado em retaliação pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel àquele país em 28 de fevereiro.
A reabertura de Ormuz é um dos pontos-chave das negociações para pôr fim à guerra entretanto iniciada, que se prolonga há mais de três meses.
A tensão naquele estreito continua, apesar da trégua indefinida em vigor e de notícias de um potencial pré-acordo entre Washington e Teerão.
Embora o Governo norte-americano tenha confirmado na quinta-feira um acordo preliminar com o Irão para prolongar a trégua por mais dois meses e garantir a passagem pela zona, Washington continua a impor pacotes de sanções contra navios e entidades devido às suas ligações ao comércio de petróleo iraniano, numa tentativa de manter a pressão sobre Teerão.
Até agora, as divergências nas posições têm impedido novas negociações presenciais após o acordo de cessar-fogo assinado em 08 de abril, prorrogado desde então sem prazo limite pelo Presidente norte-americano, enquanto as partes sublinharam que os avanços registados até ao momento são insuficientes para concluir totalmente um acordo de cessação das hostilidades.