O desfile da ostentação e o bloqueio dos pobres
Quando se quer estender um cartaz até rebentar pelas costuras, inventa-se tudo e mais alguma coisa para encher agenda, nada a ver com a Festa da Flor, mas que serve, lá está, como playground para os meninos ricos ostentarem os seus clássicos e para os pobres verem a sua vida dificultada. Mas nada disso interessa porque os ricos sabem que ninguém trabalha aos fins-de-semana e que toda a gente se sente honrada por ter a chance de ver uma coisa que jamais poderão comprar. É o beabá da nossa sociedade. Criar a ideia que se deve celebrar o que nunca se terá como se aquilo alguma vez nos beneficiasse. Parece familiar? É uma certa tendência atual.
Nada, mas nada contra que esses clássicos sejam apreciados. São janelas para a história e por aí devem ser celebrados, sim, mas em contexto que não interfiram a vida dos demais e não quando metade do Funchal está fechado durante várias horas, impactando grandemente a qualidade de vida, e trabalho, dos madeirenses. E não, não é só um dia. Estes eventos repetem-se várias vezes ao longo do ano com as rampas atrás de rampas, rally atrás de rally que qualquer dia até inventam a rampa do Halloween só para criar mais um evento.
Há espaço para tudo, é certo, mas tem de haver respeito e consideração para todos. Criem uma zona fechada e bem escolhida para estes efeitos.
João Freitas