Líder do Pentágono diz que Trump "é paciente na busca de um grande acordo com o Irão"
O secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, sublinhou hoje que o Presidente norte-americano, Donald Trump, "é paciente na busca de um grande acordo com o Irão", mas que o país tem munições para continuar a guerra.
As declarações do responsável pela Defesa dos EUA em Singapura acontecem depois de Trump ter mantido na Casa Branca uma reunião de cerca de duas horas com a sua equipa de segurança para tomar uma "decisão final" sobre a guerra que terminou sem acordo, segundo o The New York Times.
O Governo norte-americano acredita estar perto de um acordo, mas ainda há certas questões a debater, entre elas o desbloqueio de fundos iranianos, acrescenta o jornal.
"Tive a oportunidade de falar com o Presidente Trump esta manhã, e ele pediu-me para reiterar o quão paciente ele é", disse Hegseth durante a sua intervenção no Diálogo Shangri-La de Singapura, o fórum de segurança anual mais importante da Ásia.
"Qualquer acordo será um grande acordo, e ele é paciente na sua busca", acrescentou o chefe do Pentágono, que reiterou que os EUA estão numa "boa posição" e que têm munições para continuar o conflito.
"Temos reservas (de armas) mais do que suficientes", assegurou Hegseth, numa aparente alusão a rumores segundo os quais a suspensão de uma importante venda programada de armamento a Taiwan se deveu à escassez de stocks nos Estados Unidos.
Outra das explicações está relacionada com visita recente de Trump a Pequim, onde a questão de Taiwan ocupou parte relevante da agenda das discussões e depois de o líder republicano ter afirmado que a venda de armas à ilha autónoma que Pequim considera parte do seu território é uma "moeda de troca" com a China.
Durante uma sessão de perguntas, quando questionado sobre essa suspensão temporária do acordo de venda de armas a Taiwan, no contexto do conflito no Médio Oriente, Hegseth afirmou, em contrapartida, que essa decisão está nas mãos de Trump.
"Qualquer decisão sobre a futura venda de armas a Taiwan cabe ao Presidente, depende dele e, depois de ter participado nas reuniões em Pequim, posso dizer que não houve qualquer alteração na situação", afirmou Hegseth.
O "secretário da Guerra", como é designado pela Administração Trump, salientou que a relação com o gigante asiático é a "melhor em muitos anos" e enfatizou a importância de manter abertas as linhas de comunicação militar para Washington e Pequim se coordenem "em caso de conflito" e reduzam "o risco de erros de cálculo".
"Há apenas duas semanas, o Presidente Trump e o Presidente Xi (Jinping) mantiveram conversações diretas em Pequim, que reforçaram este princípio fundamental. Fui testemunha das horas de diálogo, conversas verdadeiramente históricas. Acordaram que os Estados Unidos e a China devem construir uma relação construtiva de estabilidade estratégica baseada na equidade", afirmou Hegseth.
Neste sentido, porém, Hegseth afirmou que há "razões legítimas para alarme" face ao reforço militar chinês na Ásia-Pacífico, onde os Estados Unidos desejam um "equilíbrio estável" e rejeitam qualquer "hegemonia".
"Olhando para a região hoje, há razões legítimas para alarme face à dimensão histórica do reforço militar da China e à expansão das suas atividades militares na região e além dela", declarou Hegseth num discurso perante a plateia de especialistas militares e ministros presente no Diálogo de Shangri-La.
Os Estados Unidos não querem uma "confrontação desnecessária na região", sublinhou.
O Diálogo de Shangri-La reúne, durante três dias e até domingo, altos responsáveis políticos e militares, bem como especialistas e investigadores de cerca de 45 países.
Este fórum anual alterna discursos, mesas redondas e entrevistas privadas no luxuoso hotel Shangri-La. Um ambiente propício a discussões, mesmo entre países rivais, seja em sessões públicas ou na intimidade de salões acolhedores, longe dos microfones.
A China enviou, pelo segundo ano consecutivo, apenas uma equipa de especialistas militares e investigadores, mas não o seu ministro da Defesa, Dong Jun.